Suspeitos de burlas com mensagens "Olá pai, Olá mãe" julgados em abril
Os três arguidos são suspeitos de integrar desde 2022 uma rede transnacional de burlas de mensagens fraudulentas.
O Tribunal de Matosinhos começa a julgar em abril três pessoas, das quais um casal, suspeitas de integrar desde 2022 uma rede transnacional de burlas de mensagens fraudulentas de "Olá pai, Olá mãe", adiantou esta terça-feira à Lusa fonte judicial.
A primeira audiência de julgamento está agendada para dia 15 de abril, durante todo o dia, e servirá para ouvir os três arguidos, caso estes queiram prestar declarações, sublinhou a fonte.
Segundo a acusação, o casal tinha como tarefas comprar cartões para telemóveis, ativando-os e disponibilizando-os de forma massiva em 'modems GSM', que também compravam, e que estavam configurados em aplicações acessíveis através do servidor "agente.smshub.org" a outros membros do grupo.
Aos outros membros do grupo cabia, em regra, a criação de contas no WhatsApp e o envio de mensagens fraudulentas de "Olá pai, Olá mãe", acrescentou.
Para a compra dos cartões para telemóveis, os arguidos serviram-se de anúncios na rede social Facebook associados a um perfil falso, em nome de Sofia Guimarães, e através dos 'modems' os arguidos conseguiam, ainda, alterar os IMEI bloqueados pelas operadoras e ocultar o rasto da origem das comunicações.
"Em duas situações foram os próprios arguidos os autores das mensagens fraudulentas", referiu.
A disponibilização destas ferramentas à rede permitiu a estes arguidos ganhos de, pelo menos, 218.000 euros recebidos em criptomoeda, que converteram através de venda, com depósito das quantias em contas bancárias de terceiras pessoas a si relacionadas, sublinhou a acusação.
A estes dois arguidos e à organização instalada juntou-se o terceiro arguido a quem cabia o papel de disponibilizar entidades/referências e contas bancárias para onde as vítimas faziam pagamentos/transferência.
Este arguido recebeu, entre agosto e setembro de 2023, 12.523 euros.
Um dos arguidos, membro do casal, está em prisão preventiva -- medida de coação mais gravosa.