Secções
Entrar

PSP Dino e mais 11 arguidos julgados no auditório municipal de Gaia

11 de agosto de 2020 às 16:47

O julgamento do agente da PSP Bernardino Mota, da esquadra de Gondomar, e outros 11 arguidos, acusados de tráfico de droga, vai realizar-se no auditório municipal de Vila Nova de Gaia.

O julgamento do agente da PSP Bernardino ('Dino') Mota, da esquadra de Gondomar, e outros 11 arguidos, acusados de tráfico de droga, vai realizar-se no auditório municipal de Vila Nova de Gaia, devido à covid-19.

Fonte judicial explicou hoje à agência Lusa que o processo pertence ao Tribunal de São João Novo, no Porto, mas por causa da pandemia de covid-19 o julgamento teve de ser transferido para Gaia, com início previsto para as 09:30 de 03 de setembro.

Inicialmente o caso tinha 13 arguidos, mas na instrução, fase facultativa requerida por alguns destes, o juiz de instrução criminal decretou a suspensão provisória do processo a um dos arguidos e pronunciou (decidiu levar a julgamento) os restantes 12 (10 homens e duas mulheres) nos exatos termos da acusação do Ministério Publico (MP), no Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

A acusação do MP, a que a Lusa teve acesso, conta que, desde maio de 2018, quatro dos arguidos, incluindo o agente policial, à data colocado na esquadra da PSP de Gondomar, "constituíram uma organização criminosa com vista a, de forma duradoura, se dedicarem à comercialização de produtos estupefacientes, designadamente haxixe", para ser vendida na Área Metropolitana do Porto.

Nesse sentido, segundo o MP, o grupo contactou "indivíduos em Espanha" a quem compravam o haxixe por 750 euros o quilograma para o vender em Portugal por 1.250 euros.

O transporte dos estupefacientes era efetuado por automóvel, e assim que chegavam à zona metropolitana do Porto, estes quatro arguidos encontravam-se e distribuíam o haxixe entre si, de "forma proporcional" ao investimento feito por cada um deles.

"Os arguidos Bernardino Mota, Tiago Sousa, Márcio Pereira e Carlos Silva foram os elementos preponderantes e com margem de decisão na organização criminosa, pois participaram nas decisões relativas ao tempo, modo e lugar para levar a cabo os transportes dos produtos estupefacientes, tendo as suas atividades se revelado essenciais à concretização dos transportes", sustenta a acusação.

Para o MP, entre maio de 2018 e julho de 2019, mês em que foram detidos, os quatro arguidos realizaram, pelo menos, 27 viagens "em que lograram transportar, no regresso [de Espanha], elevadas quantidades de haxixe [de entre 30 a 60 quilogramas de cada vez, divididos por placas], que depois comercializavam e distribuíam por terceiros".

"Quanto à organização criminosa em causa, tratava-se de um grupo com um grau de organização elevado, que demonstrou estar estruturado por forma a transportar, por diversas ocasiões, elevadas quantidades de haxixe oriundo do sul de Espanha, e proceder às tarefas inerentes ao seu transporte com vista à sua posterior introdução no mercado na zona metropolitana do Porto, revelando coordenação com todos os que aceitaram colaborar com a organização na atividade em causa", explica a acusação.

Três dos principais dos arguidos, incluindo o agente policial 'Dino', foram detidos pela PSP na noite de 07 de julho de 2019, na área de serviço do Montijo, na A13, sentido sul -- norte, quando regressavam de Espanha com cerca de 120 quilos de haxixe, com um valor aproximado de 150.000 euros.

Na sequência da investigação patrimonial realizada ao arguido Bernardino ('Dino') Mota apurou-se a existência "de património incongruente com os seus rendimentos lícitos", razão pela qual o MP pede que sejam devolvidos ao Estado quase 185.000 euros.

Alguns dos arguidos, incluindo o agente policial, permanecem em prisão preventiva.

O agente policial Bernardino Mota, Tiago Sousa, Mário Pereira e Carlos Silva vão responder por um crime de tráfico de estupefacientes agravado e por associação criminosa, na modalidade de promoção e direção.

Pedro Quaresma e Nuno Ferreira estão acusados, em coautoria com os quatro principais arguidos, de tráfico de estupefacientes e de associação criminosa, na modalidade de adesão e apoio.

Seis dos arguidos, que se dedicavam à venda da droga, respondem por um crime de tráfico de estupefacientes.

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Portugal

Assim se fez (e desfez) o tribunal mais poderoso do País

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela
Portugal

O estranho caso da escuta, do bruxo Demba e do juiz vingativo

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela