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PCP acusa autarca de Coimbra de tentar condicionar jornalista da agência Lusa

Lusa 11 de abril de 2026 às 11:54

Para os comunistas, este episódio, da parte de Ana Abrunhosa, revela "traços de prepotência e dificuldade em lidar com a crítica, tanto mais que a própria presidente [da Câmara] confirma que não respondeu aos questionamentos do jornalista".

O PCP acusou este sábado a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, de tentar condicionar o livre exercício do jornalismo ao fazer acusações ao jornalista João Gaspar, da agência Lusa, que evidenciaram "traços de prepotência".

Ana Abrunhosa critica ministro da Agricultura em conferência de imprensa Nuno Veiga/LUSA

"O PCP condena a tentativa de condicionamento do livre exercício do jornalismo, ocorrida na reunião do executivo municipal de Coimbra desta sexta-feira", salienta-se num comunicado emitido pela estrutura concelhia de Coimbra dos comunistas.

Este partido assinala que, "conforme foi noticiado", a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, eleita pelo PS nas últimas eleições autárquicas, "dirigiu ao jornalista da agência Lusa uma acusação de falha deontológica grave a propósito do tratamento noticioso da situação da Casa do Cinema de Coimbra".

A notícia cita o coordenador do espaço, Tiago Santos, segundo o qual a Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, e acrescenta que a Lusa questionou o executivo municipal, mas não obteve qualquer resposta.

Para os comunistas, este episódio, da parte de Ana Abrunhosa, revela "traços de prepotência e dificuldade em lidar com a crítica, tanto mais que a própria presidente [da Câmara] confirma que não respondeu aos questionamentos do jornalista".

"O PCP considera que o respeito pelos trabalhadores da comunicação social é um dever básico dos detentores de cargos públicos, manifesta inteira solidariedade para com o jornalista visado e saúda a sua posição de defesa do livre exercício da profissão", lê-se no comunicado.

O PCP manifesta depois solidariedade "com a luta dos jornalistas contra a precariedade, os baixos salários e contra a deterioração das suas condições de trabalho que constituem também fatores que incrementam a grande pressão a que os jornalistas estão hoje submetidos nos mais diferentes órgãos de comunicação".

Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a direção de Informação da Agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra "repudiando acusações" que a autarca dirigiu ao jornalista João Gaspar, durante uma reunião pública do executivo camarário.

Numa nota depois emitida, a direção de informação da Agência Lusa considera que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram "descabidas, infundadas e difamatórias".

A direção de informação da Lusa reiterou a sua confiança no jornalista João Gaspar, "cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível".

Na mesma nota, a direção de informação da Lusa acentua que João Gaspar se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.

"Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à Câmara. Só ao fim de nove dias publicou a noticia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão", acrescenta-se na mesma nota.

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