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“O algodão não engana”. Pedro Leitão defende legado no Banco Montepio

Negócios 15 de fevereiro de 2026 às 12:19

Pedro Leitão está de saída de CEO do banco por decisão da associação mutualista. Não comenta a decisão em detalhe, nem critica o acionista, mas sublinha os resultados atingidos na sua liderança. Leitão permanecerá em funções mais alguns meses, mas faz já um balanço.

Em 2025, o Banco Montepio teve, pelo segundo ano consecutivo, um lucro superior a 100 milhões de euros. Foi também o segundo ano em que entregou dividendos após mais de uma década sem remunerar o acionista. Isso, no entanto, não foi suficiente para manter Pedro Leitão no lugar. A saída foi decidida e anunciada pelo acionista, a Associação Mutualista Montepio. Em entrevista ao Negócios e Antena 1, o ainda CEO defende o legado que deixa na instituição financeira, mas rejeita entrar em polémica com o acionista.

Está de saída do Banco Montepio. A decisão tomada pelo seu acionista surpreendeu-o?

Gestão e governação são planos distintos. O meu trabalho, e da equipa que tenho tido o gosto de liderar nos últimos seis anos, é um trabalho de recuperação e entrega de crescimento. Esse trabalho está feito. Foi aquilo para que fui contratado e essa missão está cumprida.

Então quer dizer que não ficou surpreso.

De quatro em quatro anos, a palavra é devolvida ao acionista. Que tem – e já o expressou publicamente – apreço pelo trabalho que foi realizado. E expressou expectativas para um ciclo futuro. Não é incompatível, são coisas diferentes. Eu estive lá para fazer um trabalho, o acionista expressou uma ambição para um ciclo futuro. É um quadro de normalidade.

Isso é como despedir um bom treinador.

Não sigo muito o futebol, mas, na realidade, os mandatos terminam e os resultados ficam. Aquilo a que nos comprometemos nos últimos seis anos está entregue. Agora a palavra está do lado do acionista.

Não respondeu à pergunta sobre se tinha ficado surpreendido com a decisão da Associação Mutualista.

Temos de olhar para isso com normalidade.

Que justificações lhe foram apresentadas pelo acionista para não continuar?

O quadro institucional de relação com o acionista é de cooperação, é um bom quadro institucional. Não vou revelar conversas que temos nesse âmbito, não seria correto. A única coisa que quero dizer é que há um quadro de normalidade, de os acionistas olharem para isso de quatro em quatro anos e decretarem as suas expectativas para o futuro.

A sua vontade era ficar?

A minha vontade é servir esta causa, que é uma causa nobre.

E gostaria de continuar a servir essa causa, continuar esse contributo?

O contributo é inequívoco. O algodão não engana. Há a perspetiva da gestão e a perspetiva da governação. Eu tenho um papel na gestão do Banco Montepio, os acionistas têm um outro papel na governação, nos órgãos sociais. Cada um tem o seu papel, não são papéis incompatíveis, e francamente, acho que temos de encarar este tema como um tema de normalidade.

Por isso insistimos: foi surpreendido com a decisão?

Volto a dizer, os resultados de 100 milhões de euros [o banco lucrou 110 milhões de euros em 2024 e 104 milhões 2025] seriam impensáveis [há alguns anos]. O maior resultado que o banco alguma vez teve na sua história de 181 anos andou na ordem dos 68 milhões de euros. Mas, como digo, gestão e resultados são um tema que me competiu entregar. Governação, do ponto de vista dos órgãos sociais, é um tema do acionista. Cada um tem o seu papel e sobre isso acho que estamos conversados. Eu tenho um compromisso enorme com as pessoas do banco e um gosto enorme na liderança e na galvanização dessas pessoas. Foi, talvez, o desafio mais nobre que tive na minha vida profissional. Eu tive de entregar resultados e o acionista também. Daí para a frente, o futuro prevê-se bom.

Que futuro será esse?

Acho que não seria muito correto estar a falar disso agora, mas oportunamente terei todo o gosto em tornar isso público.

Noutra entrevista disse-nos que a relação com o acionista era ótima e que a gestão do banco era totalmente independente. Isto ainda é verdade? Ainda pensa assim?

O que eu disse é verdade e mantém-se. Até à data, e seguramente até à minha saída do banco [que ainda deverá demorar alguns meses], a relação institucional é ótima. A experiência que tenho é de um quadro institucional ótimo e de independência.

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