Manifestantes pela habitação protestam em frente à Assembleia da República
A moldura humana vai crescendo em frente ao Parlamento, onde se concentram esta terça-feira os protestos pela habitação em Lisboa.
A moldura humana avolumou-se em frente à Assembleia da República, em Lisboa, onde esta terça-feira decorre uma manifestação pelo direito à habitação e contra a "violência policial" utilizada pela PSP em resposta às "acampadas" de Lisboa e Porto.
Por volta da hora de jantar, a moldura humana impressionava, com milhares de pessoas juntas em protesto, a entoarem palavras de ordem contra o primeiro-ministro Luís Montenegro e contra o que consideram ter sido "repressão policial".
"Mais salário, menos porrada", "todos precisam de um teto, até as tendas. Rua Luís", "a juventude precisa de uma casa para viver" ou "somos mansos mas não somos tansos" eram algumas das inscrições que se liam em centenas de cartazes empunhados pelos manifestantes.
A Acampada de Lisboa associou-se à iniciativa, apelando a que depois seja montada, junto ao parlamento, a sua habitual assembleia popular: "É Acampada no parlamento! Poder popular do Rossio a São Bento!".
A Polícia Municipal, durante a tarde desta terça-feira, deu indicação aos comerciantes naquela área para encerrarem os estabelecimentos entre as 18h00 e as 22h00.
Foram mobilizados para a área do Parlamento vários elementos da PSP, Polícia de Intervenção e o INEM.
Marisa Liz cantou José Afonso e gritou-se pelo 25 de Abril
Ao contrário do que se tem verificado nas concentrações realizadas na praça do Rossio, organizadas pela Acampada de Lisboa e que juntam maioritariamente jovens, junto à Assembleia da República havia esta terça-feira mais diversidade etária e também menos adereços associados a causas como a Palestina
De início, um coro improvisado cantou músicas de intervenção, mobilizando os presentes que também gritavam palavras de ordem, como "25 de Abril sempre" ou "estamos juntos, estamos fortes".
A cantora Marisa Liz iniciou uma série de concertos improvisados de artistas solidários com a causa agendado para esta noite, cantando uma versão de Zeca Afonso da música "O pintor morreu".
"Estamos numa luta justa, sem violência", começou por dizer a cantora, que, quando alguns polícias desceram a escadaria da Assembleia da República, num acerto do forte dispositivo que rodeia o parlamento, disse: "Juntem-se".
"O nosso país não está à venda", acrescentou a cantora, que defendeu a intervenção da população nas ruas e não apenas através das eleições.
"Um país não se governa só com o Governo" e também é possível "influenciar as decisões no decorrer de cada mandato", disse a artista, arrancando aplausos.
Em atualização