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Falta de apoio da tutela torna "impossível" a gestão do Hospital Amadora-Sintra

Lusa 09 de janeiro de 2026 às 13:33

Luísa Ximenes, enfermeira diretora demissionária, recorda que a ministra da Saúde "sujeitou [o hospital] a duas administrações" e que "agora vem uma terceira".

A enfermeira diretora demissionária da ULS Amadora-Sintra disse esta sexta-feira que devido à falta de apoio da tutela ao Conselho de Administração do hospital Amadora-Sintra "é impossível" este "gerir o que quer que seja".
Hospital Amadora-Sintra DR
Em declarações à SIC Notícias, Luísa Ximenes referiu já ter criticado os conselhos de administração do hospital pela "incapacidade (...) de serem competentes", acrescentando: "Depois desta experiência que eu tive com a ausência total de apoio que eu senti por parte da ministra da Saúde, na realidade é impossível gerir o que quer que seja". A responsável, que apresentou a sua demissão do cargo que tem assento no Conselho de Administração na quinta-feira, declarou ter ficado "estupefacta" ao ouvir o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "dizer que o problema da saúde não se resolvia com demissões, defendendo a líder das demissões", referindo-se à ministra Ana Paula Martins. Luísa Ximenes precisou que a ministra da Saúde "sujeitou [aquele hospital] a duas administrações" e que "agora vem uma terceira", questionando: "Então resolve-se com demissões ou não se resolve com demissões? É que é o segundo Conselho de Administração que está a ser demitido" no Hospital Amadora-Sintra. "O motivo da minha admissão foi por ter sentido falta total de apoio e até alguma falta de reconhecimento pelo trabalho extraordinário que foi feito pelo Corpo dos Enfermeiros, que em meio ano abriram 80 camas no hospital, muitas delas de cuidados intensivos, abriram salas de bloco operatório, abriram o hospital de Sintra", disse. Explicou ter sido uma decisão tomada "de um minuto para o outro" depois de ter ouvido "na televisão dizerem, e com razão, que os responsáveis pelo que estava a acontecer na urgência do hospital Fernando Fonseca eram os elementos do Conselho de Administração". Sentia-se responsável, mas "mais nada podia fazer", depois de ter dado ordem à direção clínica para que fossem feitas "escalas como deve ser no serviço de urgência" e isto não ter acontecido. Luísa Ximenes disse ainda à SIC Notícias pretender com a sua demissão "apressar para bem do hospital, a substituição" do presidente do Conselho de Administração, que se demitiu em novembro, para que "rapidamente possa haver um rumo, uma visão que inspire aqueles profissionais a acreditar num futuro melhor". A Ordem dos Médicos defendeu na quinta-feira que a substituição da administração da ULS Amadora-Sintra devia ser prioridade em relação a outros hospitais sem situações críticas, alertando que a liderança da instituição está fragilizada, comprometendo os cuidados de saúde. "A liderança fragilizada, desde a demissão [do presidente do Conselho de Administração, Carlos Sá, em novembro], compromete a organização hospitalar e a capacidade de contingência durante períodos críticos, como o pico da gripe e as temperaturas baixas", alertou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa. "O Conselho de Administração não tem condições para funcionar, já que os poucos membros restantes não dispõem da autoridade nem dos instrumentos necessários para gerir a unidade", reforçou, classificando a situação de "verdadeiramente emergente". Devido à falta de médicos para assegurar as escalas no serviço de urgência geral, o hospital Amadora-Sintra tem enfrentado tempos de espera muito prolongados, chegando a atingir cerca de 20 horas para doentes urgentes.
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