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Elevador da Glória: Carris contabiliza três indemnizações concluídas e admite queixas de falta de certidões de óbito

Lusa 31 de julho de 2026 às 19:59

O descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido a 3 setembro, provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

A empresa municipal Carris esclareceu esta sexta-feira que familiares das vítimas do acidente do elevador da Glória, em Lisboa, comunicaram que "ainda não tinham na sua posse as certidões de óbito" e revelou que existem três processos de indemnização concretizados.

Elevador da Glória, em Lisboa, após perícia da PJ Direitos Reservados

"A Carris esclarece que, em reuniões com familiares das vítimas, teve conhecimento de que ainda não tinham na sua posse as certidões de óbito. Mediante esta situação, a Carris apoiou algumas famílias nesta diligência junto da Procuradoria-Geral", afirmou a empresa municipal responsável pelo elevador da Glória, em resposta à agência Lusa.

O esclarecimento da Carris surge após, na quarta-feira, na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o vereador do PS Pedro Anastácio ter questionado sobre processos de autópsias por concluir, indicando que essa informação foi prestada pela administração da Carris, numa reunião em junho com os vereadores do executivo municipal.

"Foi dito que havia autópsias que ainda não estavam feitas, nomeadamente por responsabilidade do Ministério Público", disse o socialista.

Sobre esse assunto, o Ministério da Justiça assegurou esta sexta-feira que "não existem quaisquer autópsias por realizar" na sequência do acidente do elevador da Glória, adiantando que as autópsias foram todas realizadas em 24 horas e que todos os relatórios foram concluídos, reforçando que "foram 16 casos", o que corresponde ao número total de vítimas mortais do descarrilamento.

Relativamente às indemnizações às vítimas, a Carris reforçou que o processo está a ser formalmente conduzido pela seguradora Fidelidade, pelo que a empresa municipal acompanha a sua evolução, tendo informação de que, "até final de julho, existem três processos de indemnização concretizados".

A este propósito, a Carris garantiu que dispõe de todos os seguros legalmente exigidos para o exercício da sua atividade.

Segundo informação anteriormente disponibilizada pela CML, o capital seguro contratado pela Carris, no valor de 50 milhões de euros, com a seguradora Fidelidade, "cobre todas as despesas previstas" para responder às vítimas do acidente e seus familiares.

No final de junho, aquando da reunião entre a administração da Carris e os vereadores da oposição na CML, apenas duas pessoas envolvidas no acidente tinham o processo indemnizatório completo, faltando indemnizações para 38 pessoas feridas ou famílias das vítimas mortais.

Cerca de um mês depois, a Lusa questionou a Fidelidade que revelou que, das 40 vítimas registadas, existem processos em três diferentes fases de regularização, nomeadamente "em alguns casos foram já celebrados acordos indemnizatórios" e "noutros, em menor número, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta".

"E em algumas situações relativas a vítimas com lesões corporais, os processos encontram-se ainda em fase de consolidação médico-legal, aguardando-se a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório", informou a seguradora, sem revelar detalhes.

De acordo com a Fidelidade, sempre que as condições legais e documentais de cada processo o permitiram, foi apresentada proposta indemnizatória, "procurando, de forma proativa, a resolução mais célere e adequada" para cada vítima e família, "independentemente do tempo que cada processo possa demorar".

"Por respeito à sua privacidade e à proteção dos seus dados pessoais e clínicos, a Fidelidade não comenta, nem comentará em nenhuma fase do processo, situações individuais, incluindo, necessariamente, o número e os termos de eventuais ações judiciais, montantes reclamados e as condições de acordos já celebrados", ressalvou.

O descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido a 3 setembro, provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

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