DGS. Desconfiança nas vacinas está a levar ao ressurgimento de doenças no mundo
"Neste momento, já temos ressurgimento de sarampo em muitos dos estados dos EUA", referiu Rita Sá Machado aos deputados.
A diretora-geral da Saúde alertou hoje que a desconfiança nas vacinas em determinadas partes do mundo está a originar o ressurgimento de doenças como o sarampo, assegurando aos portugueses que é seguro vacinarem-se.
"Todos nós estamos a ver claramente o que é que a desconfiança nas vacinas provoca noutros locais do mundo. Neste momento, já temos ressurgimento de sarampo em muitos dos estados dos EUA", referiu Rita Sá Machado aos deputados da comissão parlamentar de Saúde.
A responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS), que assumiu o cargo após a pandemia, em novembro de 2023, falava numa audição pedida pela bancada do Chega sobre a transparência contratual, comunicação pública do risco, farmacovigilância e eventual responsabilidade do Estado no âmbito da vacinação contra a covid-19.
Rita Sá Machado salientou que os portugueses e os residentes no país podem confiar que "é seguro se vacinarem", alegando que, se assim não fosse, as vacinas contra as várias doenças não estariam disponíveis e não seriam recomendadas pelas autoridades de saúde.
Referiu ainda que a desconfiança que se verifica na vacinação em alguns locais do mundo "já não é um pormenor", mas sim "algo bastante importante" que está a levar ao reaparecimento de doenças que se consideravam erradicadas, como é o caso do sarampo.
Sobre a covid-19, Rita Sá Machado recorreu a um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que a vacinação contra o coronavírus tenha evitado cerca de 1,6 milhões de mortes na Europa.
"É importante olharmos para quaisquer que sejam os potenciais efeitos adversos de vacina ou medicamentos, mas é igualmente importante olhar para todas as vidas que foram salvas", salientou a diretor-geral da Saúde.
Reiterou também que as vacinas contra a covid-19 administradas em Portugal cumpriram todos os requisitos legais e regulamentares, tendo "demonstrado elevados padrões de qualidade, segurança e eficácia".
"Se há uma lição aprendida da pandemia, é que realmente os portugueses e as pessoas que vivem em Portugal podem confiar na DGS e noutras instituições do Ministério da Saúde e também nos seus profissionais de saúde", realçou Rita Sá Machado aos deputados.
Também ouvida na sequência do requerimento do Chega, a ex-ministra da Saúde Marta Temido disse que o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 e a sua aprovação constituiu um processo específico, mas assegurou que a forma acelerada como foi conduzido "não quer dizer que tenha sido desenvolvido com menor cautela".
"Face à premência do que estava em causa, era urgente dispor de uma vacina contra a covid-19 e, portanto, houve uma mobilização geral no mundo no sentido de tentar dispor de uma vacina", referiu a ex-governante.
Adiantou ainda que estes processos foram conduzidos com o apoio de instituições europeias "sempre com essa enorme preocupação de garantir a disponibilização de vacinas seguras" para a covid-19.
"Toda a gente de boa-fé compreende o que foi este processo, que foi guiado pela ciência e pelos critérios de bom uso dos dinheiros públicos e pelas mais variadas instâncias comunitárias e por agências reputadas", considerou Marta Temido.
Um relatório da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) especificamente sobre a segurança das vacinas contra a covid-19, publicado em 2023, indicou que foram registadas mais de 39 mil suspeitas de reações adversas (RAM) até final de 2022, o que correspondeu a 1,4 casos por cada 1.000 doses administradas.
Do total de RAM registadas no Sistema Nacional de Farmacovigilância, 8.518 foram consideradas suspeitas de casos graves, o equivalente a 0,3 casos por cada 1.000 vacinas administradas, adiantou o Infarmed na altura, referindo que, entre o início da vacinação -- no final de 2020 - e 31 de dezembro de 2022, foram administradas quase 28 milhões de doses em Portugal.