Coordenador do BE defende que Presidente não pode ficar "em cima do muro"
Para José Manuel Pureza, o essencial é "garantir o direito à habitação como direito constitucional".
O coordenador nacional do BE considerou esta quinta-feira importante que o Presidente da República não fique "em cima do muro", apelando a Seguro para que tenha "um gesto firme" na defesa do direito à habitação e à manifestação.
"Para quem se preocupa com coesão social, é muito importante que haja um Presidente que não fique em cima do muro, um Presidente que tenha uma palavra firme, um gesto firme, um gesto claro, de chamada de atenção, de alerta para aquilo que é essencial", defendeu hoje José Manuel Pureza.
O bloquista falava depois de ter sido recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, António José Seguro, que está hoje a ouvir os partidos com assento parlamentar sobre coesão social, tema no qual o chefe de Estado incluiu a habitação.
Para Pureza, o essencial é "garantir o direito à habitação como direito constitucional, e garantir também que manifestações pacíficas, democráticas, grandes, tenham lugar no nosso país sem qualquer tipo de constrangimento, como tem acontecido".
Esta semana, abordando as manifestações de Lisboa e Porto pela primeira vez, o Presidente da República apelou ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
Na ótica de José Manuel Pureza, o Governo, com o apoio dos partidos de direita e extrema-direita, têm agido ignorando a Constituição e criando "na sociedade portuguesa uma estratégia de crispação" que depois é "coroada com repressão policial completamente injustificada".
"Perante isto, o Presidente da República, do nosso ponto de vista, tem que ter uma palavra muito mais forte, uma palavra muito mais clara sobre aquilo que é exigível para que a coesão social seja uma realidade em Portugal", sustentou.
José Manuel Pureza considerou ainda que "a ideia de que os partidos se devem entender é, no mínimo, caricata diante de iniciativas como aquelas que vêm do PSD, do CDS, da Iniciativa Liberal e do Chega, que vão no sentido, precisamente, de criar uma política de terra queimada em matéria de habitação".
O bloquista defendeu que estes partidos querem punir "quem tem mais de 65 anos, quem tem deficiência" e "espezinhar completamente o direito à habitação".
"Com uma estratégia dessas, não há entendimento possível. Mas o Presidente da República tem um papel a desempenhar. Ele tem que ser o contraponto dessa estratégia. E foi isso, exatamente, que o BE veio dizer ao senhor Presidente da República", rematou.