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"Chuva civil" molhou Ventura que em Viseu procurou inspiração em Viriato e Sá Carneiro

Lusa 11 de janeiro de 2026 às 16:56

Ventura escolheu o Largo Santa Cristina, junto à estátua de Francisco Sá Carneiro, em Viseu, para arrancar mais uma arruada.

A "chuva civil" pode não molhar todos os candidatos a Belém, mas molhou este domingo o líder do Chega, André Ventura, que, em Viseu, procurou inspiração em Sá Carneiro, mas também em Viriato.
TIAGO PETINGA/LUSA
Ao oitavo dia de campanha oficial para as eleições presidenciais de dia 18, André Ventura escolheu o Largo Santa Cristina, junto à estátua de Francisco Sá Carneiro, em Viseu, para arrancar mais uma arruada. A chuva não deteve as dezenas de apoiantes presentes, que se muniam de chapéus impermeáveis na cabeça alusivos à campanha e que esperavam, como já é habitual, pela chegada do líder do Chega para a tão desejada fotografia. Em declarações aos jornalistas, André Ventura voltou a salientar que o fundador e primeiro líder do Partido Popular Democrático (PPD) é para si "uma enorme inspiração pessoal e política", depois de Francisco Sá Carneiro ter entrado na campanha no arranque. "É um exemplo de homem que soube romper a tempo, soube tomar decisões mesmo difíceis perante o seu partido, perante o seu país. Pôs Portugal primeiro, que é o que eu quero fazer", sustentou. Ventura não foi, contudo, estreante neste gesto simbólico durante a campanha para as presidenciais: um dos seus adversários, o almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, esteve no mesmo local uma semana antes. E foi precisamente o ex-chefe do Estado-Maior da Armada que Ventura recordou indiretamente quando falava mais à frente no percurso enquanto a chuva ia caindo. Depois de um apoiante lhe dizer que "a chuva só molha os fracos", Ventura retorquiu de volta: "Eu ia dizer que chuva civil não molha militar, mas podia beneficiar aqui outro candidato".
A arruada contou com passagem pela Confeitaria Amaral, onde o candidato a Belém, acompanhado pela mulher e alguns deputados do Chega, bebeu um café e pediu dois "viriatos", doces tradicionais da cidade, feitos de massa de pão doce com recheio de doce de ovos e uma cobertura de coco e açúcar. O presidente do Chega não quis, contudo, comer um inteiro, "para não ganhar o peso de várias eleições", e pediu "uma faquinha" para dividir pelos presentes alguns pedaços do bolo que homenageia o chefe militar lusitano Viriato - apesar de querer distância de outros ex-chefes militares. "Foi um guerreiro que lutou pelo nosso país, que defendeu a nossa identidade e é isso que eu quero ser também", disse aos jornalistas sobre o militar que terá vivido no século II antes de Cristo, antes da fundação de Portugal, lutando, sem sucesso, contra o domínio romano na Península Ibérica. Ventura comeu o seu pedaço -- "para ficar mais doce", como retorquiu uma das empregadas do estabelecimento -- e pagou a conta antes de seguir caminho. A empregada disse-lhe que serviu os viriatos "com carinho", e Ventura respondeu: "E o carinho do povo português é o que interessa mais". Interpelado por inúmeros apoiantes que queriam tirar uma fotografia consigo, a última paragem da arruada foi na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Na igreja, onde ficou escassos minutos, não foi permitida a entrada de comunicação social. À saída, acompanhado pela mulher, Ventura justificou a entrada na igreja por ser domingo. "É importante para mim, é uma coisa pessoal e acho que não devo abdicar de fazer isso e acho que somos um país católico e devemos continuar a ser", disse aos jornalistas.
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