Caneiro afasta bloco central e defende "alternativa clara" entre PS e PSD
O líder do PS preferiu referir-se ao "grande contributo político para a estabilidade política do país" que o seu partido deu ao viabilizar o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) e assim "evitar uma crise".
O secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, afastou esta sexta-feira a ideia de um eventual bloco central por considerar "importante para a democracia" que haja "uma alternativa clara" entre PS e PSD.
À margem das Conferências do Estoril, em Cascais, distrito de Lisboa, José Luís Carneiro foi questionado sobre a possibilidade de um eventual bloco central para evitar que um executivo liderado pelo Chega assumisse a governação do país.
"Respondo a essa pergunta na entrevista que dei à TSF. É importante para a democracia que haja uma alternativa clara entre os dois principais partidos democráticos portugueses, entre o PS e o PSD, porque é entre essas alternativas que os portugueses e as portuguesas têm ofertas de respostas políticas democráticas para o seu futuro", defendeu.
Perante a insistência dos jornalistas, o líder do PS preferiu referir-se ao "grande contributo político para a estabilidade política do país" que o seu partido deu ao viabilizar o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) e assim "evitar uma crise".
"É por ter consciência de que as dificuldades vão acentuar-se que o Partido Socialista e eu, enquanto secretário-geral, assumi perante os órgãos do partido, todos concordando com esta abordagem, para viabilizarmos para a abstenção a nossa opção política", enfatizou.
Em entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, rejeita um bloco central com o PSD, mas quer "reciprocidade" dos social-democratas, caso vença eleições.
"Não é desejável um bloco central, como, aliás, tem sido expresso por várias pessoas que conhecem e que têm experiência do nosso sistema político. O Partido Socialista será - e é o que está a procurar fazer - uma alternativa de confiança, uma alternativa sólida, para governar o país", defendeu, nessa mesma entrevista.
Esta semana, em Ovar, o presidente do PS, Carlos César, considerou que o "diálogo entre os partidos centrais da democracia" é "essencial e garantístico".
"Mas, que fique claro, não me refiro a coligações governamentais de bloco central, que só se justificariam, no limite, e como alternativa derradeira e posterior a uma vitória da extrema-direita. Mas, o que deve ser dito e garantido é que os partidos democráticos, em caso da vitória de um deles, têm a obrigação recíproca de assegurar a viabilidade governativa fora do perímetro da extrema-direita", disse então.