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Acampada no Porto manteve-se durante a noite com cerca de 30 pessoas

Lusa 29 de outubro de 2026 às 09:37

De manhã cedo, uma parte dos que pernoitaram na praça D. João I, no Porto, saiu para trabalhar, permanecendo no local cerca de uma dúzia de pessoas.

Cerca de 30 pessoas passaram a noite na acampada de protesto pela habitação no Porto, onde os participantes dizem querer manter um espaço comunitário de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e de debate político.

e em solidariedade com a Acampada do Porto, na Praça ANTÓNIO PEDRO SANTOS / EPA

De manhã cedo, uma parte dos que pernoitaram na praça D. João I, no Porto, saiu para trabalhar, permanecendo no local cerca de uma dúzia de pessoas.

Em declarações à Lusa, João Henriques contou que, à meia-noite, a polícia pediu aos participantes que retirassem as tendas e abandonassem o espaço público, tendo estes desmontado as estruturas, mas permanecido no local.

"Retirámos as tendas, mas achámos que não faria sentido abandonar um espaço público", afirmou, explicando que os participantes estenderam edredões e sacos-cama para passar a noite.

Segundo João Henriques, algumas pessoas ficaram a assegurar o funcionamento da cozinha e a garantir condições para que os restantes pudessem descansar.

"Apesar do frio, a noite decorreu sem incidentes", acrescentou.

O grupo que permaneceu no local era, cerca das 08h30, mais reduzido, uma vez que alguns participantes foram trabalhar ou para a escola.

"Isto já ultrapassou a escala da manifestação", considerou João Henriques, para quem a acampada tornou-se "um espaço seguro para pessoas que vivem na rua e um local de convívio e discussão sobre o país e o futuro".

Referiu que "pessoas em situação de sem-abrigo recorrem ao espaço para obter alimentos" e que "os participantes continuam a receber donativos, incluindo comida e mantas".

Durante a manhã, a Lusa testemunhou que estavam disponíveis café, chá, bolachas e pão, embora grande parte dos alimentos já tivesse sido "distribuída".

João Henriques disse ainda que pelo menos três pessoas em situação de sem-abrigo permaneceram acordadas com os participantes durante a noite, não sabendo precisar quantas dormiram no local.

A intenção do grupo é continuar a passar as noites no espaço, procurando assegurar "uma presença regular junto das pessoas que, nas últimas duas semanas, se habituaram ao contacto e ao apoio" ali disponibilizados.

Para hoje, estão previstos concertos e poderá realizar-se uma roda de conversa, com atividades a partir das 15:00 ou das 16:00 e até cerca das 22:00 ou 22:30, indicou João Henriques.

Na noite de quarta-feira, a PSP informou os manifestantes na Praça D. João I, no Porto, de que podiam pernoitar no local desde que desmontadas as mais de uma dezena de tendas, pedido acatado pelos presentes.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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