A arte da respiração
João Pedro George
01 de agosto

A arte da respiração

Mas mais ainda que os puristas da língua, detesto os que se ocupam a corrigir em público, com ar catedrático, os erros ortográficos dos outros. Quem frequenta as redes sociais mete-se em complicações e situações embaraçosas.

DETESTO, COMO VOCÊS não podem fazer ideia, os puristas da língua. Os que olham para o português apenas a partir de Portugal e o convertem num objecto de culto (para esses, o português de Portugal deveria manter-se inalterável através dos séculos, como no tempo das danças religiosas medievais).

Se teimosamente arrasto comigo o anterior acordo, não é por fidelidade ou juramento de fé aos seus princípios, é apenas porque a minha preguiça é mais forte e constante que a minha vontade de pôr em prática a nova grafia.

Pense-se o que se quiser, mas a nossa identidade é também a forma como aprendemos a ler, a escrever e a olhar para as palavras. E nesta altura e a esta hora, em que já passei o equador da minha vida, custa-me despedir-me do que fui e já não sou.

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