O FC Porto voltou à varanda
José Pacheco Pereira Professor
20 de maio de 2018

O FC Porto voltou à varanda

Moreira fez bem, em 2018, mas Rio fez igualmente bem quando há 19 anos teve de cortar com a promiscuidade política dos dirigentes do clube com o PS que governou o Porto

Até acho bem. Existe uma identificação profunda do clube com a cidade e a cidade é muito especial nos seus gostos e desgostos. E não é fácil também. Moreira fez bem, em 2018, mas Rio fez igualmente bem quando há 19 anos teve de cortar com a promiscuidade política dos dirigentes do clube com o PS que governou o Porto. A arrogância pessoal de Pinto da Costa, a violência dos Super Dragões e a interferência política em conluio com um PS que nunca imaginou perder a câmara levantavam o problema de haver um poder fáctico que pretendia mandar na cidade depois de derrotado em eleições. Não foi um processo fácil, foi até uma luta duríssima, e Rio ficou quase sozinho.

O PS do Porto convocou manifestações com os Super Dragões, fez um papel, que tenho no arquivo, e depois veio negar que o tinha feito. O PSD também não se portou bem, com Durão Barroso a hesitar vir ao Porto na campanha eleitoral sem ser acompanhado pelos dirigentes do futebol. Lembro aqui esse homem frágil e corajoso que foi Miguel Veiga, insultado várias vezes por Menezes, que ficou solidário com Rio e foi visitá-lo quando da manifestação que envolvia a câmara debaixo de impropérios e com protecção policial. Posso testemunhar porque fui com ele.

Mas, passaram quase 20 anos e hoje será difícil que se reproduzam as condições da época. Por isso, penso que é natural que o clube volte à varanda para fazer uma festa com a cidade.

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