O espião janta connosco
Nuno Rogeiro
01 de agosto

O espião janta connosco

“OB” foi um notável oficial dos serviços secretos russos. Tornou-se um dos mais recentes dissidentes da linha oficial. O seu estatuto é incerto, mas acedeu a falar sobre a guerra da Ucrânia. Fica aqui um extrato.

Pergunta – Trabalhou para que serviço? Considera-se um traidor? É verdade que há uma deserção substancial de agentes do seu país?
OB – Fiz carreira no mundo das informações estratégicas, mas não forçosamente no SVR (serviço externo). Não sou um traidor. Amo a Rússia e não renuncio à cidadania, embora imagine que, nos termos legais, me vá ser retirada. Tenho vivido revoltado com os acontecimentos na Ucrânia, que não me interessa qualificar com mais palavras, dado que isso não muda nada. Tentei objetar, por vias regimentais, sem sucesso. A minha saída da Pátria, no sítio onde a servia, foi um último e doloroso recurso. Conheço colegas na mesma situação, mas a "deserção em massa" parece-me uma invenção.

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