O nariz
João Pedro George
02 de maio

O nariz

É mais importante possuir um bom nariz que ter bom olho, pois a vista pode enganar-nos, mas o nariz raramente. Um nariz que se preze é capaz de farejar as injustiças, as manigâncias, as aldrabices, a banha da cobra, o gato por lebre

É EXTREMAMENTE PROVÁVEL – arrisco-me a aventá-lo – que o leitor transporte diante de si um apêndice nasal. Que tenha sempre à mão, todos os dias, essa cápsula oblonga, concreta e tangível a que se chama nariz.

O nariz é uma imagem forte, não é um detalhe sem importância, nem uma condição passageira. Se for enorme como uma abóbora, ou como a chaminé de uma fábrica, sobrepõe-se a quase tudo, leva às maiores tiranias.

Um nariz irrevogável e com excesso de protagonismo, sobre o qual não resta a menor dúvida, torna-se o fulcro do nosso ser, o cerne da nossa existência. Quando nos tentam descrever, somos sempre "aquele tipo com uma penca descomunal, do tamanho de um rochedo ou de uma montanha".

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