Big MEC
João Pedro George
28 de fevereiro

Big MEC

O Miguel escreve sem preocupação de exercício literário, sem pensar no que disse fulano e sem pensar no que fulano dirá. Não faz gestão da carreira. Vive afastado da luta para ser isto ou aquilo, para ganhar este ou aquele prémio


O meu mais antigo pensamento de que também eu queria escrever – vir-a-ser escritor – data do momento em que li as primeiras crónicas do Miguel Esteves Cardoso no Expresso.

A emoção de descobrir um autor de que se gosta e com quem nos identificamos invade-nos como uma onda expansiva, que passa da cabeça ao peito. É como uma porta de um mundo novo que se abre, faz-nos sentir como um daqueles lepidopterologistas que, seguindo o voo leve de uma borboleta, topam com um monumento de uma civilização antiga, escondido na selva, de colossais dimensões e de tão misteriosa beleza.

Lembro-me muito bem de, por esse tempo, estar internado no Hospital de Santa Maria, depois de me ter partido quase todo num desastre de mota.

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