Os EUA, ao optarem pelo regresso de Donald Trump, abdicaram da bússola moral e preferiram embarcar, sem rodeios, neste novo mundo de homens fortes e desprezo pela herança demoliberal.
Em tempo de neoimperialismos revisionistas vindos da Rússia (invasão ilegal da Ucrânia) e da China (ameaça crescente a Taiwan), Donald Trump vê no atual contexto internacional de "regresso da guerra" e no desmoronamento do sistema de regras e valores, em que o Direito de Fronteira voltou a ser desrespeitado pelos mais fortes à luz dos seus interesses sem que ninguém os consiga parar, uma oportunidade de refundação da sua plataforma. Assume uma retórica que é, ela própria, expansionista no que toca a uma configuração, mesmo que delirante, de uma "América Grande outra vez", que agora já não se esgota na proteção do trabalhador americano perante as empresas da China e os imigrantes que entram pelo México e passa a ter um enquadramento internacional. Desta vez, o "América Grande outra vez" tem mesmo uma componente de expansionismo territorial, feito à custa da soberania e integridade territorial de terceiros. Isto diz-nos que na Casa Branca passou a estar alguém que não tem qualquer interesse em liderar o mundo demoliberal, baseado em regras, cooperação e valores. Está, em vez disso, alguém com um devaneio autocrático e admiração mal disfarçada por ditadores, disposto a atacar os pilares da Democracia dos EUA e sem qualquer pejo de abdicar de alianças permanentes. Trump quer fazer desta sua segunda presidência um momento de rutura, revolução e disrupção. Os EUA vão deixar de ter um papel de liderança pelo exemplo e estão a fazer gala de perder a bússola moral.
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