António Costa, Belmiro e Zé Pedro
Eduardo Dâmaso Director
06 de dezembro de 2017

António Costa, Belmiro e Zé Pedro

Depois de ter votado na especialidade a favor de uma taxa para uma indústria altamente subsidiada, como a das energias renováveis, o PS arrependeu-se e votou contra. A força de alguns lóbis manda mais do que uma aliança parlamentar maioritária

A cambalhota do PS na questão das rendas da energia diz quase tudo sobre o tempo que vivemos. Depois de ter votado na especialidade a favor de uma taxa para uma indústria altamente subsidiada, como a das energias renováveis, o PS arrependeu-se e votou contra. Esta reviravolta evidencia várias coisas e nenhuma delas é favorável a António Costa. A primeira e maior de todas é que a força de alguns lóbis é fortíssima e manda mais do que uma aliança parlamentar maioritária. A segunda é que a força e legitimidade política de António Costa fica pelas ruas da amargura. Por fim, nada mais voltará a ser como antes na geringonça. O BE tirará a desforra (merecida) na primeira oportunidade.

A força de Belmiro...
Os mesmos PCP e BE que defendem as trafulhices de Sócrates barricados na conveniente paralisia política decretada pela presunção de inocência, sobretudo em tempos de geringonça, são incapazes de votar a favor de um voto de pesar pela morte de Belmiro de Azevedo.

A morte não os reconcilia quando se trata de um capitalista. Não importa se é um capitalista que criou uns 40 mil empregos, se tem uma visão democrática das relações laborais, se criou dezenas de empresas produtivas, se o fez mesmo quando os governos não queriam que fizesse, se conquistou o seu lugar pelo trabalho e pela inteligência – não pela herança ou pela especulação financeira –, se deu um exemplo permanente de liberdade, criando um jornal incómodo e mantendo intacto para toda a vida o poder da sua palavra e a opinião sobre os políticos e governos.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Opinião Ver mais