Sábado – Pense por si

Maria Henrique Espada
Maria Henrique Espada
22 de setembro de 2026 às 23:00

Dar, dar, dar, não vai dar em nada

A política portuguesa tornou-se monótona – a oposição também aposta só no “dar”. O Chega quer dar tudo o que puder, o PS, mais seletivo, quer dar nos impostos dos combustíveis e no IVA zero no cabaz alimentar (mesmo que este dê mais a ricos do que a pobres, não interessa, o verbo chave é dar). O vocabulário político nacional fala de reformas e reformas agora, é isto: dar qualquer coisinha ou criar a aparência de que se dá qualquer coisinha.

Pela terceira vez consecutiva, Luís Montenegro anunciou um bónus para os pensionistas e uma baixa do IRS. A justificação para a primeira é o facto de não querer criar mais despesa fixa. Mas uma exceção que ocorre três vezes seguidas passa a regra na expectativa dos portugueses. A justificação para a segunda é deixar mais dinheiro no bolso dos portugueses que trabalham. Será pouco, mas é o possível, e a intenção parece boa (embora a carga fiscal tenha subido para 35,4% em 2025), mas a repetição cria, de novo, expectativa para o futuro.

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