NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Para que não lhe escape nada, todos os meses o Diretor da SÁBADO faz um resumo sobre o que de melhor aconteceu no mês anterior.
Os nossos dias não são o que nós queremos que eles sejam, mas são nossos. Com culpa, com luto, com alegria, com tudo e com nada. Fugir deles é a pior coisa que podemos tentar fazer, porque eles têm pernas longas e hão-de correr até nos conseguirem apanhar e levar de volta.
É curiosa esta ideia de os dias da semana terem pesos e medidas diferentes. Vistos ao longe até parecem ser feitos da mesma matéria, mas aquilo que provocam em cada um de nós varia consoante a nossa história e a nossa disposição. Acrescentamos quilos aos que nos cansam, e tiramos peso aos que nos fazem falta, num ajuste de contas diário que nos serve sobretudo a nós. Os dias da semana têm bagagens diferentes e personalidades fortes, e a chegada de cada um deles pode provocar uma espécie de baque, como se nos apanhassem de surpresa todas as semanas. Tratamos os dias consoante o que eles nos dão, num desafiante leilão diário. Gostamos das terças porque temos uma combinação que adoramos, das quartas porque sim, das quintas porque praticamos o desporto que gostamos, e por aí fora. Mas essas âncoras não são garantia de um dia bom, porque o que ele tem lá dentro pode até ter coisas previsíveis, mas pelo meio há outras que desequilibram a ordem que dávamos como certa. A sexta-feira é o dia que tem melhor reputação, porque é o dia que devolve o descanso a quem o perdeu nos outros dias. Anuncia um fim-de-semana onde podemos reivindicar os horários que bem entendermos. Mas mesmo assim há quem baralhe o jogo e trabalhe ao fim de semana, e veja afinal na semana o descanso que a maior parte das pessoas não consegue lá encontrar. São os mesmos dias, mas só para quem os trata pelo nome, e não por aquilo de que são feitos.
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Enquanto nos digladiamos com as frivolidades quotidianas, ignoramos um problema de escassez estrutural que tratará de dinamitar as nossas parcas possibilidades de liderarmos o pelotão da economia do futuro, para a qual não estamos minimamente preparados.
Os momentos mais perigosos da História não são aqueles em que tudo colapsa, mas aqueles em que todos fingem que nada está a mudar. Em 1026, ninguém previa a avalanche de transformações que se seguiria.