O excepcionalismo ético do Bloco
Pedro Antunes
18 de abril de 2018

O excepcionalismo ético do Bloco

Ficou, no entanto, com uma sensação de desconforto. Na sua declaração de renúncia, curta, directa, Paulino Ascenção explica que vai devolver o dinheiro a instituições sociais da Madeira, não podendo fazê-lo directamente ao estado.

O Bloco de Esquerda, agremiação de partidos marxistas, trotskistas mandelistas, entre outros, sempre arrogou para si uma ética maior que a dos outros. Afinal de contas, estão do "lado certo da história"! E feitas as contas, só assim tinham votos para entrar no parlamento. Todos engoliram sapos em prole das contas e lá seguiram contentes para o parlamento. Hoje, volvidos 16 anos, até fazem governação à distância.

Na segunda-feira Paulino Ascenção renunciou ao seu mandato parlamentar por "considerar que o exercício do mandato parlamentar tem de ser pautado pelo mais absoluto rigor e por inabaláveis princípios éticos". Resumo; foi apanhado pela imprensa com a mão no frasco das bolachas e tentou uma saída airosa.

Ficou, no entanto, com uma sensação de desconforto. Na sua declaração de renúncia, curta, directa, Paulino Ascenção explica que vai devolver o dinheiro a instituições sociais da Madeira, não podendo fazê-lo directamente ao estado. À primeira vista ficamos impressionados. Apesar de tudo ele não fez nada de ilegal, e devolver tudo é um esforço financeiro forte para a sua família.

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