Em defesa do Benfica – Let´s have dinner together Mr. Textor
Paulo Amaral Blanco Advogado
26 de julho

Em defesa do Benfica – Let´s have dinner together Mr. Textor

As entrevistas de John Textor são interessantes, pela experiência e visão que revelam para o desenvolvimento internacional da marca Benfica, mas simultaneamente intrigantes.


Constitui, entre outros, dever de todos os sócios do Sport Lisboa e Benfica zelar pela defesa e engrandecimento do seu património. É, portanto, no cumprimento deste dever que, na minha condição de associado nº 10119, e também por dever ético para com a comunidade, não posso, depois das entrevistas de John Textor, divulgadas ontem e hoje em diversos meios de comunicação social (Record, Bola, Sol e TVI), continuar sentado a assistir à agressão que está a ser efetuada ao Clube.

Agressão lamentavelmente praticada pelos atuais dirigentes do Clube, por alguns acionistas sua SAD e pelo silêncio cúmplice de outros.

Vejamos:

John Textor fez as suas contas e está disposto a adquirir 25% do capital da SAD, que está divido em 23.000.000 ações, do valor nominal de € 5 cada, ou seja, pretende comprar 5.750.000 títulos, por € 8,70 cada, tendo ajustado a sua aquisição, a um acionista particular, por € 50.025.000.

Ainda que, por hipótese, o acionista vendedor tivesse adquirido as ações objeto do negócio pelo seu valor nominal, isto é, a € 5 cada – o que se sabe não ter o sido caso e que, aliás, está a ser escrutinado pelas autoridades judiciárias - o lucro obtido, pelo acionista vendedor, ascenderia a € 3,70 por cada título. O que, multiplicado pelas 5.750.000 ações, significaria um lucro mínimo de € 21.275.000, mas que segundo dados vindos a público poderá mesmo ser superior a € 30.000.000, dos quais o Benfica não receberá um único cêntimo.

Nas circunstâncias conhecidas, após a eclosão da "Operação Cartão Vermelho", os atuais dirigentes do Clube vieram invocar o desconhecimento deste negócio, opor-se ao mesmo e, até hoje, recusam-se a ouvir John Textor. Não obstante, cautelarmente, já vieram avisar a nação Benfiquista que a oposição ao negócio poderá ser juridicamente ineficaz mantendo desta forma a porta aberta à realização da referida compra e venda, onde o Clube nada ganhará.

Ora, este procedimento, esta postura, ao invés do que parece, constitui uma violenta agressão ao Benfica e uma infidelidade, à defesa do seu património e engrandecimento, em benefício objetivo, como está bom de ver, do acionista particular vendedor que através da futura concretização do negócio conseguirá um lucro fabuloso do qual, repito, o Benfica não verá um cêntimo.

Na verdade, após a oposição à venda e face à liquidez financeira de John Textor para investir mais de € 50.000.000 e emprestar € 35.000.000, os dirigentes do Benfica tinham por obrigação, em primeiro lugar, de ouvir John Textor e, em segundo e principalmente, de terem a arte e o engenho para transformar a atual crise numa oportunidade para engrandecer o património do Clube e unir os Benfiquistas em redor de um novo projeto libertador das amarras aos atuais maiores acionistas particulares da SAD.

As entrevistas de John Textor são interessantes, pela experiência e visão que revelam para o desenvolvimento internacional da marca Benfica, mas simultaneamente intrigantes. Como é que um investidor tão experiente e, ao que o próprio afirma, fã do Clube, "amigo do Benfica no passado e quer ajudar no futuro", continua agora a aceitar pagar € 8,70 por ação, a um acionista particular, num negócio onde o Benfica nada ganhará? Quando pode fazer o mesmo negócio – a aquisição de uma participação de 25% - por um valor inferior, entrando com dinheiro na SAD (que dele bem precisa!) e ajudando simultaneamente o Benfica através de um empréstimo que permita ao Clube o acompanhamento do aumento de capital, por entradas em dinheiro, o que, naturalmente, seria visto com agrado por todos os Benfiquistas.

Há perguntas por fazer e há uma questão central que urge esclarecer, John Textor estará mesmo interessado em adquirir uma participação de 25% na SAD e em ajudar o Clube ou, afinal, quer apenas e só adquirir ao acionista particular promitente vendedor o lote das ações que ele possui para filantropicamente o ajudar, sem que o Benfica ganhe um cêntimo?  

Em qualquer caso, na exclusiva defesa dos interesses do Benfica é urgente fazer a Jonh Textor perguntas que, até hoje, ninguém lhe fez:

i) Está disponível para investir diretamente no Benfica através de um aumento de capital da SAD, por entradas em dinheiro, por forma a ficar a deter 25% do respetivo capital social?

ii) E, em caso afirmativo, está disponível para ajudar o Clube no acompanhamento deste aumento de capital emprestando o dinheiro necessário?

iii) Este cenário não será também muito, mesmo muito melhor negócio para si?

iv) Quer fazer estas contas com os Benfiquistas?

Um aumento de capital, concertado com Jonh Textor, na exclusiva defesa dos interesses do Benfica, libertará o Clube das amarras a que está preso e da opacidade de interesses em que, infelizmente, está envolvido. É uma oportunidade imperdível. A defesa do Benfica impõe convidar o investidor para, como ele diz, um «jantar de família» Benfiquista. Let´s have a dinner together Mr. Textor?  

 

Paulo Amaral Blanco
Advogado

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