Cuidado, muito cuidado!
João Laborinho Lúcio
06 de outubro

Cuidado, muito cuidado!

Cuidar atira-nos de cabeça na direção da salvação daquele que se entrega ao nosso despertar. Ali somos. Ali estamos.

As cicatrizes da vida são muitas vezes pontuadas pelas linhas e curvas com que nos cruzamos. Pelas escolhas que fazemos. Pelos tropeções. Quedas. Impactos a que nos atiramos. E também são, outras vezes, a oportunidade de nos entregarmos à escolha do cuidar. Do passar a tinta pelas texturas em reconstrução com a mão que fomos habituados a usar no abraço sem pontos ou vírgulas. Apenas no abraço feito de um texto que sempre se inicia e parece nunca ter um fim. 

Neste caminho de cuidado, neste pontilhado do cuidar, ouvimos: "Cuidado, muito cuidado!". Cuidar atira-nos de cabeça na direção da salvação daquele que se entrega ao nosso despertar. Ali somos. Ali estamos. Ali nos perdemos nos labirintos da entrega onde mora a ténue linha da vida. E cuidar pode também atirar-nos para longe de um cuidado igualmente nuclear sem o qual nenhum cuidado merece ou pode ser cuidado. O cuidado de quem cuida.

 Quem cuida de quem cuida? Onde fica esse cuidado naquelas linhas de labirinto que não mostram uma crosta terrestre e se perdem na densidade interior que só se revela quando aparece o primeiro descuido. 

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