A votação permitirá ao Kremlin apurar a eficácia de enquadramento institucional dos órgãos de poder.
Na foto do primeiro dia, Putin foi visto à secretária a votar «pelos nossos soldados» por via electrónica, após ter apelado a «todos os cidadãos» para cumprirem o dever de apoiar os «heróis no campo de batalha».
Os primeiros resultados de três dias de votação ao surgirem na noite de domingo vão confirmar a esmagadora vitória do partido governamental «Rússia Unida».
Começará, também, o escrutínio mais fino de como 111 milhões de russos recenseados se confrontam com a «Operação Militar Especial», lançada em Fevereiro de 2022.
Mais de centena e meia de «veteranos da Operação Militar Especial» serão eleitos para a Duma, a câmara baixa da Assembleia Federal que integra, ainda, o Conselho da Federação, representado entidades soberanas, nomeadamente repúblicas, regiões e cidades federais: Moscovo, Sankt Petersburgo e Sevastopol, na Crimeia ocupada.
A votos temos, ainda, 8 governadores regionais e órgãos legislativos de 39 regiões, sendo metade dos 450 mandatos da Duma escolhidos em listas partidárias que igualem ou superem 5% dos votos e os demais em escrutínio uninominal maioritário.
Às primeiras legislativas desde a invasão em larga escala da Ucrânia só foram admitidos partidos e candidatos que apoiem a «Operação Militar Especial».
A votação permitirá ao Kremlin apurar a eficácia de enquadramento institucional dos órgãos de poder, sobretudo, a nível local.
Muito para além de inquéritos de opinião que assinalam crescente preocupação com a situação económica e o impasse na guerra, as eleições fornecerão dados relevantes para tomar o pulso à efectiva capacidade do sistema político para prosseguir a guerra.
A manipulação dos dados oficiais quanto à participação – 52% em 2021; 48% em 2016 –, teor do voto e sufrágios, será suficiente para assegurar nova maioria para «Rússia Unida» (50% dos votos e 324 deputados em 2021).
Os partidos coniventes, caso dos «Liberais Democráticos» (de extrema-direita) e dos pretensos social-democratas de «Rússia Justa», ou de oposição leal, como o «Partido Comunista», continuarão representados na Duma.
A forma como forem apresentados os resultados da votação nas regiões ocupadas da Ucrânia Zaporijjia, Kherson, Donetsk, Lugansk (anexadas em 2022) e na Crimeia (incorporada na Rússia em 2014) será particularmente relevante.
Encontrar um meio termo minimamente aceitável de adesão ao regime, sem pecar por excesso ou defeito propagandísticos, é um dos exercícios mais significativos de uma eleição que visa renovar a legitimidade do regime, numa conjuntura em que a inflação anual se cifra em 6% e a taxa de juro fixada pelo Banco Central em 14%.
Entre conformismo, desafecto, indiferença ou escassa resistência activa, os resultados oficiais serão também analisados para aferir a situação nas regiões da linha da frente como Belgorod, Voronej, Rostov ou Krasnodar.
O efeito dos bombardeamentos ucranianos nas regiões ocidentais e meridionais da Rússia manifestar-se-ão, de igual forma, na apresentação dos resultados eleitorais.
Vale o mesmo para os escrutínios de regiões pobres com grande número de mobilizados e mortos na frente ucraniana e, por outro lado, alto retorno financeiro pela participação na guerra, como a República da Buriatia, onde o budismo é marcante, no extremo-oriente, ou o Dagestão, no norte do Cáucaso, fortemente muçulmano.
Em função dos reais resultados da «Operação Eleitoral Especial» será feita a ponderação de medidas como racionamento pontual e localizado de combustíveis devido aos ataques ucranianos a refinarias ou cortes em prestações sociais face a limitações orçamentais causadas pela canalização de cerca de 40% dos recursos financeiros ao esforço de guerra.
Uma eventual e temida nova mobilização parcial à imagem da decretada em Setembro de 2022, que abarcou cerca de 300 mil reservistas, dependerá, igualmente, da avaliação que o Kremlin faça destas eleições.
Independentemente do que manifestem as atitudes de eleitores impotentes ou das elites submissas, para Vladimir Putin é vital apostar neste Outono-Inverno na estratégia de destruição massiva de infraestruturas, aproveitando a incapacidade da Ucrânia para conter bombardeamentos aéreos.
O que sucedeu no Instituto Vavilov, junto à Catedral de Santo Issac, no centro histórico da antiga capital imperial de Sampetersburgo, é um caso extremo de sacrifício pela ciência em prol do próximo.
No Seixal, este Setembro, no ano 1448 da era islâmica, os comunistas reconhecerão os seus e o estado português sumir-se-á mofino,negligente, desavergonhado.
O choque do colapso fronteiriço do final de Julho, «uma invasão» no dizer do Alcaide-Presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do «Partido Popular», irá reverberar Primavera adentro.
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