Continuamos a assistir diariamente a decisões e acórdãos criminosos em relação à proteção das crianças em situações de violência. Não existe nada que separe ou proteja as crianças do percurso que a palavra "pai" faz até à palavra crime.
Continuamos a assistir diariamente a decisões e acórdãos criminosos em relação à proteção das crianças em situações de violência. Não existe nada que separe ou proteja as crianças do percurso que a palavra "pai" faz até à palavra crime. Não existe o superior interesse da criança, nem a estabilidade pretendida para que a mesma se desenvolva, ao darem guardas partilhadas, tempos de visita e visitas obrigatórias às próprias prisões a "pais" agressores, a "pais" assassinos. Vivemos numa época em que as crianças são, tal como as mulheres, órfãs do sistema judicial. Vemos agora os partidos a reforçarem esta mesma ideia. De que é obrigatório ser "pai". De que é necessário pôr crianças a conviver com um sistema diabólico e ineficaz desde a sua raiz. Não podem efetivamente ser "pais" alguns. Podem apenas caminhar de mão dada com os tribunais que os protegem e enaltecem o seu estatuto de "pai" ao invés de demonstrar a vergonha daquilo que realmente são: agressores e em grande parte condenados a penas "suspensas", deixando estas crianças à mercê das vontades alheias, vontades que originam traumas e danos irreparáveis. É preciso perceber que os laços afetivos e a sua criação é que formam as palavras pai e mãe. Impor progenitores de sangue que destroem a vida das crianças não é criar um modelo familiar. É atirar os processos para debaixo do tapete, permitindo a propagação da violência doméstica como o crime mais praticado em Portugal. É, mais do que permitir, ser cúmplice do que se passa dentro das casas destas crianças, vítimas sem estatuto ou nome, onde os seus "pais" são os seus próprios terroristas. As crianças, órfãs da justiça, vivem neste limbo da convivência obrigatória com os seus progenitores criminosos. Ao que parece na justiça portuguesa, na palavra pai, não existe crime, embora sejam estes "pais" agressores e assassinos! Não existe justiça. Obrigamos as crianças a viver num sistema perverso, que não engloba a violência doméstica como um crime familiar, mas como um "semi-crime" contra a mulher. Um sistema que rejeita a procura do interesse da criança, em vazão de outros pontos de interesse. Um sistema que fala, para apenas poder esquecer. Enquanto isso, morre mais uma mulher, fica órfã mais uma criança, de uma mãe que em tempos existiu e de um "pai" que nunca o foi. É assim que estão representadas as crianças portuguesas, não só as vítimas de violência doméstica, mas todas, porque uma criança é a representação de todas as outras! A mudança já não se pede para hoje mas para ontem! É esta a realidade portuguesa no contexto da proteção das crianças: trauma, violência e crime! Onde fica afinal o significado de ser criança? Fica esquecido por entre os corredores do tribunais e por quem a voz cala, quando são necessários gritos! Gritos de mudança!
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Os resultados do “clube do coração” têm mais peso no quotidiano de milhões de portugueses do que as decisões políticas que, na realidade, moldam o seu futuro. Esta obsessão transforma-se em anestesia.
Chamar a este projeto de “corredor da paz” enquanto se inscreve o nome de Trump é uma jogada de comunicação que consolida a sua imagem como mediador global da paz.
Cuidarmos de nós não é um luxo ou um capricho. Nem é um assunto que serve apenas para uma próxima publicação numa rede social. É um compromisso com a própria saúde, com a qualidade das nossas relações e com o nosso papel na comunidade.