O surto de ébola que tem afetado a República Democrática do Congo alastrou-se a mais duas zonas: Biena e Manguredjipa. De acordo com dados do governo, a expansão já afetou pelo menos 60 pessoas, até sexta-feira. Na província de Kivu do Norte, a taxa de letalidade é de 69%, enquanto a taxa geral é de 48%.
O surto já causou 5.794 infeções e 2.786 mortes no Congo Foto AP/Dirole Lotsima Dieudonne
Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde do Congo, o surto já causou 5.794 infeções confirmadas e 2.786 mortes. O vírus está a espalhar-se a uma velocidade sem precedentes e já foi considerado o surto mais rápido da história do país. Os esforços para conter e tratar o vírus não são rápidos o suficiente para impedir o alargamento.
No país, existe um clima de tensão entre a população e os profissionais de saúde, marcado pela insegurança e desconfiança. Enquanto médicos e enfermeiros entram em greve por mais condições de trabalho e remuneração justa, muitos habitantes acreditam que os profissionais estão a levar propositadamente o vírus para o Congo e, por isso, agridem-nos e incendeiam centros médicos.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras anunciou na sexta-feira a abertura de um novo centro de tratamento em Beni, na província de Kivu do Norte, para conseguir uma resposta mais rápida numa das áreas mais afetadas. O novo centro “permite o tratamento rápido de pacientes, fortalece o rastreamento de contatos e apoia as autoridades de saúde para conter a propagação do vírus”, avançou a organização, em comunicado.
Na quinta-feira, o Congo começou a vacinar profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente com a vacina Ervebo, que se mostrou eficaz em surtos anteriores de ébola causados por um tipo diferente e mais comum, chamado Zaire.
Estão em curso ensaios clínicos para encontrar uma vacina licenciada para o raro vírus Bundibugyo, causador do surto atual, para o qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
A crise de saúde foi declarada em meados de maio, mas as autoridades de saúde acreditam que a doença já estaria a ser propagada desde fevereiro. Por isso, a identificação de casos positivos e a contenção do vírus ficam muito mais comprometidas. De três zonas afetadas, passou para 60.
O Uganda ficou livre do vírus no mês passado, mas o risco de o vírus voltar a atravessar a fronteira ainda é alto. Os países em maior risco, neste momento são a República Centro-Africana e o Sudão do Sul.
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