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Quarenta e nove pessoas morrem de sede no Níger após avaria de camião no Saara

Lusa 20:46
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Cerca de 100 pessoas viajavam no camião vindo do Mali que sofreu um problema técnico no camião.

Quarenta e nove pessoas morreram de sede no Níger após ficarem perdidos no deserto do Saara, na sequência de uma avaria no camião em que viajavam, perto das fronteiras com o Mali e com a Argélia, segundo as autoridades nigerinas.

Sandália perdida no deserto do Saara
Sandália perdida no deserto do Saara AP Photo/Jerome Delay, File

As autoridades provinciais de Agadez indicaram, num comunicado, que 49 pessoas, na maioria nigerinos, faleceram nesta "tragédia" na "imensidão" do deserto do Saara, numa zona situada a cerca de 80 quilómetros a oeste da cidade nigerina de Assamaka, perto das fronteiras com o Mali e com a Argélia.

O governador provincial, Ibra Boulama Issa, indicou que cerca de 100 pessoas viajavam no camião, que sofreu um problema técnico, vindo do Mali.

"Regressavam ao seu país para celebrar as festas com as suas famílias", afirmou Issa, antes de declarar que uma missão de investigação foi enviada à zona após serem alertados sobre a situação por dois sobreviventes, onde foram encontrados dezenas de cadáveres.

"Segundo os relatórios iniciais, o veículo, que tinha partido da cidade maliana de Telhandek, situada a cerca de 300 quilómetros da fronteira com o Níger, perdeu-se antes de avariar após vários dias de viagem pelo deserto", explicou, antes de salientar que "privados de água e incapazes de reparar o veículo", os passageiros "ficaram presos num ambiente hostil onde as temperaturas extremas e a falta de provisões dificultavam enormemente a sobrevivência".

O alarme terá sido dado por duas pessoas que conseguiram sobreviver depois de percorrer mais de 50 quilómetros antes de chegar a um "tanque", de onde se deslocaram para Assamaka, o que levou as autoridades a enviar uma missão de busca e resgate, que não teve sucesso.

As autoridades sublinharam, ainda, que essa missão "evitou por pouco outra tragédia" durante o seu regresso, no qual, "após tomarem uma rota alternativa para chegar a Assamaka", depararam-se com um camião "avariado" com mais de 60 pessoas a bordo que estavam há três dias "presas no coração do deserto devido a uma falha no motor".

"Segundo as informações recolhidas, este segundo camião, tal como o primeiro, tinha partido da cidade maliana de Harouba, situada a mais de 300 quilómetros da fronteira com o Níger", referiram as autoridades, que explicaram que numerosos nigerinos viajam para essa zona do território maliano para trabalhar em minas de ouro.

Apesar dos altos riscos associados à insegurança na zona, em particular devido à presença de grupos extremistas em certas rotas e, também, por causa das extremas dificuldades para viajar pelo deserto, estas viagens continuam a ser frequentes, referiram as autoridades.

De acordo com as autoridades, os passageiros do segundo camião receberam assistência médica e chegaram "de forma segura" após a reparação do camião.

Por último, sublinharam que "este último incidente evidencia, mais uma vez, a vulnerabilidade dos jovens envolvidos na migração transfronteiriça e nos fluxos económicos, frequentemente obrigados a aventurar-se em zonas instáveis para sobreviver ou procurar melhores condições de vida".

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) relata na sua página na internet que mais de 7 mil pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas ao tentar atravessar o Saara, por vezes tentando chegar aos países do norte de África para atravessar o mar Mediterrâneo e chegar a costas europeias.