Mais de 95% dos prisioneiros de guerra e 85% dos civis relataram ter sido torturados ou sofrido de maus-tratos. Foram também relatadas agressões sexuais e condições desumanas, incluindo privação alimentar e serviços médicos inadequados.
As Nações Unidas estimam que mais de 16 mil civis detidos pela Rússia durante a invasão à Ucrânia estão a ser “privados da sua liberdade” e muitos destes mantém-se incontactáveis.
Troca de prisioneiros entre a Rússia e a UcrâniaEPA
“A tortura e os maus-tratos generalizados e sistemáticos” contra civis e prisioneiros de guerra ucranianos detidos pela Rússia continuam a incluir violência sexual, referiu Claudia Fuentes Julio, secretária-geral da ONU para os direitos humanos.
A responsável discursou numa reunião informal do Conselho de Segurança da ONU, convocado pela Letónia e pelo Reino Unido na passada segunda-feira, e destacou a situação dos civis e soldados capturados durante a guerra iniciada pela Rússia com a invasão à Ucrânia em fevereiro de 2022.
Desde o início da invasão a equipa de direitos humanos da ONU entrevistou 910 prisioneiros de guerra ucranianos e 403 detidos após a sua libertação. No entanto não conseguiram visitar os centros de detenção na Rússia, pelo que a sua estimativa de detidos pode não ser correta e não especifica o número de adultos e de crianças.
Mais de 95% dos prisioneiros de guerra e 85% dos civis relataram ter sido torturados ou sofrido de maus-tratos, muitos deles referiram que a violência era repetida. Foram também relatadas agressões sexuais e condições desumanas, incluindo privação alimentar e serviços médicos inadequados.
O escritório de direitos humanos com sede em Genebra “documentou a execução de 129 prisioneiros de guerra ucranianos no início do seu cativeiro e a morte de 48 prisioneiros de guerra sob custódia” estas mortes foram “resultantes de tortura, negação de assistência médica ou outras condições desumanas de detenção”.
Especialistas em direitos humanos da ONU também entrevistaram 816 russos e 57 prisioneiros de guerra nacionais de terceiros países, provenientes de 45 nações, que eram membros das forças armadas russas e foram detidos na Ucrânia. Cerca de metade relatou tortura ou maus-tratos, principalmente durante os momentos iniciais do cativeiro e interrogatório.
Ainda assim a ONU relatou que foi possível entrar nos centros de detenção ucranianos e que “as condições geralmente estão em conformidade com o direito internacional humanitário e melhoraram desde 2022”.
A vice-embaixadora da Rússia na ONU, Maria Zabolotskaya, garantiu, na mesma reunião, que as forças armadas russas estão a cumprir o direito internacional humanitário, incluindo no que toca ao tratamento de prisioneiros. Ao mesmo tempo defendeu que os prisioneiros russos na Ucrânia enfrentam “tortura, degradação e abusos morais e físicos”.
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