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Justiça indiana liberta líderes do movimento das "baratas", que mantêm protestos

"As baratas nunca morrem!", comemorou o Cockroach Janta Party (CJP, Partido do Povo das Baratas), na sua conta na rede social X.

 A justiça indiana ordenou este domingo a libertação dos líderes do movimento das "baratas", detidos na véspera, antes de uma manifestação amplamente reprimida contra a revisão das listas eleitorais, cujos organizadores apelaram à continuação dos protestos nas ruas.

Polícia detém um manifestante
Polícia detém um manifestante AP

"O tribunal ordenou a libertação de Abhijeet (Dipke), Saurav (Das) e Ashutosh (Ranka)", anunciou a advogada, Ratna Singh, nas redes sociais, acrescentando que a decisão "com a condição de que não perturbem a ordem pública durante um ano".

Os três homens, que tinham sido detidos ao desembarcarem no aeroporto de Nova Deli, provenientes de Bombaim (oeste), deixaram de carro a esquadra da capital onde se encontravam detidos, sem fazerem qualquer declaração.

"As baratas nunca morrem!", comemorou o Cockroach Janta Party (CJP, Partido do Povo das Baratas), na sua conta na rede social X.

A polícia indiana procedeu no sábado a milhares de detenções, segundo a imprensa local, para impedir a realização da manifestação não autorizada, convocada pelas "baratas" e pela oposição, para exigir a demissão do presidente da comissão eleitoral, Gyanesh Kumar.

A polícia não divulgou o número de detenções.

Há várias semanas que a oposição e os "cockroaches", um movimento de jovens que surgiu online na primavera passada, lideram a revolta contra uma revisão das listas eleitorais que permitiu a exclusão de 130 milhões de eleitores, segundo os dados divulgados pelos meios de comunicação social.

Iniciada no ano passado, esta limpeza tinha como objetivo eliminar registos duplicados, de pessoas falecidas e de fraudes.

Os seus detratores acusam-na, porém, de excluir, em primeiro lugar, as minorias — nomeadamente os muçulmanos — e as populações mais vulneráveis, em benefício do Partido Bharatiya Janata (BJP) do primeiro-ministro ultranacionalista hindu, Narendra Modi.

A comissão eleitoral e o seu presidente, Gyanesh Kumar, negaram qualquer irregularidade no processo.

A onda de detenções levada a cabo pelas autoridades indianas no sábado suscitou críticas veementes na Índia, onde a oposição denunciou a "ditadura" de Modi.

Em Genebra, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos exigiu a libertação "imediata" e incondicional de todas as pessoas "detidas arbitrariamente" em Nova Deli.

Já no sábado, o CJP e o líder da oposição, Rahul Gandhi, prometeram continuar a mobilização.

"Na segunda-feira, 12 de outubro, o Congresso, toda a coligação 'India' e os jovens do país voltarão a sair em massa para as ruas", prometeu o deputado do Partido do Congresso.

"Quanto mais Mogambo (uma personagem de ditador excêntrico do cinema indiano) Modi e o seu governo reprimirem, mais a raiva da Geração Z e dos estudantes aumentará", prosseguiu Gandhi nas redes sociais.

Um responsável dos "baratas", Ajinkya Shinde, apelou aos apoiantes para que se reúnam "pacificamente" durante esta tarde na megacidade de Bombaim. "O governo cometeu um grande erro ao deter os nossos líderes e ao reprimir a democracia", advertiu no X.

O centro de Nova Deli continuava hoje a ser vigiado por um forte contingente policial, nomeadamente em torno do local de Jantar Mantar, o ponto de encontro da manifestação organizada no sábado.

Foi ao ocuparem este local emblemático do protesto na capital que os "baratas" conseguiram, em julho, a demissão do ministro da Educação, considerado responsável pelas fraudes recorrentes nos exames universitários.

Esta crise foi amplamente considerada uma derrota para Narendra Modi, obrigado a ceder pela primeira vez à pressão da rua desde a sua chegada ao poder em 2014.

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