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Zelensky deixa críticas à NATO. "A Europa adora discutir o futuro, mas evita agir"

Luana Augusto , Negócios 22 de janeiro de 2026 às 14:44

Presidente ucraniano falava no Fórum Económico Mundial, em Davos.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deixou esta quinta-feira várias críticas à NATO, mas também aos Estados Unidos e União Europeia. Numa conferência de imprensa, no Fórum Económico Mundial, em Davos, afirmou que "ninguém vê esta aliança em ação".  "Se Putin bombardear a Polónia, por exemplo, quem vai responder", questionou. Nesta quinta-feira, Zelensky atirou em várias direções, terminando com um apelo para que a Europa passe das palavras à ação, mostrando ao mundo que também tem força.
Zelensky critica a NATO no Fórum Económico Mundial, em Davos Foto AP/Markus Schreiber
O líder ucraniano começou por falar dos ativos russos que foram congelados pelos países da União Europeia. "A UE decidiu congelar os ativos riscos indefinidamente e estou agradecido à Ursula [von der Leyen] e ao António [Costa]". Zelensky prosseguiu depois a dizer que apesar dessa movimentação, o bloco europeu não conseguiu um consenso para usar esse dinheiro para apoiar a Ucrânia. "O Putin conseguiu parar a Europa [de usar os ativos congelados]", criticou. "Ao mesmo tempo, não há progresso para as penalizações sobre a agressão que está a acontecer sobre a Ucrânia. Muitas reuniões aconteceram. O que está a faltar? Na Europa, há muitas coisas mais urgentes do que a justiça", atirou Zelensky em jeito de crítica.
As atenções do líder ucraniano viraram-se depois para o petróleo russo. "O petróleo russo está a ser transportado ao largo das costas europeias, petróleo que ajuda a destabilizar [a Europa]. Os petroleiros estão a fazer dinheiro para Putin", acrescentou, questionando de seguida por que razão os EUA podem fazer um bloqueio a petroleiros na Venezuela e a Europa não é capaz de fazer o mesmo pelos petroleiros russos.

Onde está a força da Europa?

Depois veio o recado em relação à NATO. "A Europa precisa de forças armadas unidas, que possam verdadeiramente defender a Europa. A Europa apoia-se na crença de que se o perigo aparecer, a NATO irá atuar. (...) Se o Putin atacar a Lituânia ou a Polónia, quem irá dar a resposta? E se os EUA não ajudarem? Esta questão está em todo o lado, nas cabeças de todos os líderes europeus". Uma das tiradas mais duras veio no seguimento desta ideia de militarização da Europa. "A Europa precisa de saber como defender-se sozinha. Enviar 40 soldados para a Gronelândia... para quê? Que mensagem é que envia? Qual é a mensagem para o Putin? Para a China? Que mensagem envia para a Dinamarca?". "Passamos o ano passado a falar de armas de longo alcance para a Ucrânia. A solução estava ao alcance. Agora já ninguém fala disso, mas os mísseis russos continuam a mirar a Ucrânia. Amanhã pode ser qualquer país da NATO", lembrou. "Em vez de se tornar um poder global, a Europa mantém-se como um bonito caleidoscópio de poderes médios", disse noutra tirada. Mas não ficou por aqui. Seguiu-se a relação dos líderes europeus com o Presidente dos EUA, Donald Trump. "A Europa parece perdida a tentar convencer o Presidente dos EUA a mudar. Ele não vai mudar. Ele diz que adora a Europa, mas que não vai ouvir esta Europa", referindo-se à aparente ausência de poder do bloco. "Alguns líderes europeus são da Europa, mas não pela Europa. Alguns europeus são fortes, é verdade, mas parece que precisam sempre de alguém que lhes diga como devem ser fortes". "Precisamos de construir uma nova ordem mundial. E não podemos fazê-lo com palavras. (...) Precisamos desse poder para proteger a nossa independência. E precisam da independência da Ucrânia, porque amanhã podem precisar de defender o vosso estilo de vida", sentenciou.
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