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Venezuela condena anúncio de Trump sobre espaço aéreo e fala em “ameaça colonialista”

Lusa 29 de novembro de 2025 às 21:19

Declaração de Trump surge numa altura em que os EUA intensificam a pressão sobre a Venezuela com um grande destacamento militar nas Caraíbas

A Venezuela condenou este sábado a mensagem do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o encerramento do espaço aéreo venezuelano, classificando-a como uma “ameaça colonialista”.
Donald Trump apresentou um plano que está longe de gerar consenso AP
“A Venezuela denuncia e condena a ameaça colonialista que pretende afetar a soberania do seu espaço aéreo, constituindo assim uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada contra o povo venezuelano”, referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano, num comunicado. Trump avisou este sábado que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”. “Todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos considerem o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu o líder norte-americano na sua rede social, a Truth Social. Esta declaração de Trump surge numa altura em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre a Venezuela com um grande destacamento militar nas Caraíbas, incluindo o maior porta-aviões do mundo, e admitem ataques terrestres no território venezuelano na luta contra os cartéis de droga. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Caracas considerou que Trump pretende aplicar, de forma extraterritorial, a jurisdição ilegítima dos Estados Unidos na Venezuela. Para a diplomacia venezuelana, o Presidente norte-americano tenta “de forma insolente” dar ordens e ameaçar a soberania do espaço aéreo nacional, a integridade territorial, a segurança aeronáutica e a plena soberania do Estado venezuelano. “Este tipo de declarações constitui um ato hostil, unilateral e arbitrário, incompatível com os princípios mais elementares do direito internacional e insere-se numa política permanente de agressão contra o nosso país”, acrescentou o ministério. Além disso, a diplomacia de Caracas salientou que com este anúncio a administração norte-americana “suspende unilateralmente os voos de migrantes venezuelanos que eram realizados regularmente no âmbito da repatriação de venezuelanos migrantes clandestinos” nos Estados Unidos. “Até à data, foram realizados 75 voos para a repatriação de 13.956 pessoas”, revelou, ressalvando que estes voos continuaram apesar da crise entre os dois países. Sob o pretexto de combater o narcotráfico, os Estados Unidos mantêm desde setembro um destacamento naval e aéreo em águas das Caraíbas próximas da Venezuela. Adicionalmente, Washington associou o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ao Cartel de Los Soles, um grupo alegadamente envolvido no tráfico de droga e classificado como terrorista pelos Estados Unidos. Cuba, aliada de longa data da Venezuela, tem vindo a alertar desde o início para o clima de tensão e para o que classifica de “pretextos” de Washington para uma potencial agressão militar contra a Venezuela. Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) recomendou “extrema cautela” ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas devido ao que considera “uma situação potencialmente perigosa” na região. Várias companhias aéreas, incluindo a TAP, suspenderam os seus voos para aquele país. O Governo venezuelano cumpriu a ameaça e revogou as licenças de operação da TAP, Iberia, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol, acusando-as de se “unirem aos atos de terrorismo” promovidos pelos Estados Unidos.
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