Secções
Entrar

Procuradora-geral dos EUA fugiu das questões sobre caso Epstein durante audiência de cinco horas

Luana Augusto 12 de fevereiro de 2026 às 17:06

Audiência a Pam Bondi gerou uma briga partidária no Congresso. Procuradora defendeu Trump e o Departamento de Justiça, mesmo depois de terem sido expostos detalhes sobre as vítimas de Epstein, incluindo fotos de nudez.

A procuradora-geral dos Estados Unidos esteve, na quarta-feira, no Congresso, para responder às questões de vários parlamentares sobre como o seu Departamento de Justiça - que expôs detalhes sobre as vítimas incluindo fotos de nudez - lidou com os arquivos relacionados com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Durante a audiência, que durou aproximadamente cinco horas, recusou-se a responder diretamente a algumas acusações de que estaria a ignorar as vítimas e mudou por diversas vezes de assunto.
Pam Bondi testemunha sobre o caso Epstein numa audiência Foto AP/J. Scott Applewhite
A audiência gerou rapidamente uma briga partidária, com a procuradora a lançar insultos contra os democratas e a dizer que não ia "entrar no nível deles". Numa troca de acusações, o deputado Jamie Raskin acabou por acusar Bondi de se recusar a responder às questões, o que levou a procuradora a chamar o principal representante dos democratas da comissão de "advogado fracassado" e a responder aos ataques com impressões de manchetes de jornais. “Isso é patético”, disse a deputada democrata, Becca Balint, que tentava colocar questões sobre diferentes funcionários do governo Trump que tiveram ligações a Epstein. “Não estou a fazer perguntas enganadoras. O povo americano tem o direito de saber as respostas para isso.”
Bondi acusou os democratas de usarem este escândalo para desviarem a atenção dos supostos sucessos de Donald Trump, embora tenham sido os republicanos a dar início a esta polémica em torno dos ficheiros e de Bondi ter divulgado inicialmente documentos sobre o caso. Na tentativa de ajudar Bondi, os republicanos tentaram manter o foco em questões como segurança pública, crime e imigração ilegal. Apesar de todos os confrontos, a sessão ficou também marcada pela tentativa de Bondi defender intensivamente o presidente Donald Trump, assim como a atuação do Departamento de Justiça: a procuradora elogiou o trabalho do departamento para reduzir crimes violentos. "Vocês ficam aí a atacar o presidente e eu não vou tolerar isso", reiterou Pam Bondi. "Não vou aceitar isso." Enquanto as vítimas de Epstein assistiam à audiência atrás da procuradora, Bondi pedia que todas as pessoas afetadas denunciassem os seus casos às autoridades policiais e disse estar "profundamente triste" pelo que haviam passado. "Qualquer acusação de crime será levada a sério e investigada", disse. Mas pressionada pela deputada democrata Pramila Jayapal para se virar e encarar as vítimas e pedir desculpas pelo que o Departamento de Justiça "as fez passar", recusou-se a fazê-lo e acusou-a de "teatro". Desde que Bondi divulgou documentos sobre o caso Epstein, em fevereiro de 2025, que tem enfrentado dificuldades para superar uma reação negativa que se gerou posteriormente. Os arquivos não continham novas revelações sobre o criminoso sexual e, por isso, fez com que fossem feitos vários pedidos para Trump desse o aval para a sua divulgação.
Artigos recomendados
As mais lidas