Secções
Entrar

Procurador do Irão avisa que protestos passam a ser puníveis com pena de morte

Lusa 10 de janeiro de 2026 às 15:58

Com a internet em baixo e as linhas telefónicas cortadas, acompanhar as manifestações a partir do estrangeiro tornou-se difícil.

O procurador-geral do Irão avisou hoje que qualquer pessoa que participe em protestos, como os que há vários dias contestam o regime do país, será considerada “inimiga de Deus”, acusação punível com pena de morte.
Protesto a favor de Reza Pahlavi, no Irão, com centenas de feridos e milhares de detidos Foto AP/Ebrahim Noroozi
A declaração do procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, foi divulgada pela televisão estatal iraniana, concretizando a ameaça avançada na sexta-feira pelo líder supremo, ‘ayatollah’ Ali Khamenei, de que o país “ia iniciar” uma repressão. Os protestos em quase todo o Irão começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar e transformaram-se numa contestação política contra o regime. Na quinta-feira, as autoridades desligaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto. Com a internet em baixo e as linhas telefónicas cortadas, acompanhar as manifestações a partir do estrangeiro tornou-se difícil, mas, de acordo com a organização não-governamental Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, o número de mortos nos protestos subiu para pelo menos 65 pessoas, registando-se também cerca de 2.300 detidos. Alguns órgãos de comunicação social estatais e semioficiais continuam, no entanto, a publicar ‘online’ e a estação de notícias do Qatar, Al-Jazeera, transmitiu em direto do Irão, mas parece ser o único grande meio de comunicação social estrangeiro capaz de operar. Hoje, a televisão estatal avançou que não houve protestos significativos durante a noite, referindo que “a paz prevaleceu na maioria das cidades”, apesar de “vários terroristas armados terem atacado locais públicos e incendiado propriedades privadas na noite passada”. As informações foram contrariadas por um vídeo ‘online’ verificado pela agência de notícias Associated Press, que mostrou manifestações na zona de Saadat Abad, a norte de Teerão, nas quais pareciam estar milhares de pessoas nas ruas e onde se ouvia gritos de “Morte a Khamenei”. Numa declaração inesperada feita na sexta-feira, o líder supremo criticou os manifestantes por estarem alegadamente a destruir as ruas em nome de um Presidente do estrangeiro, numa referência ao chefe de Estado norte-americano, depois de Donald Trump ter ameaçado “bater muito forte” no Irão, se as autoridades “começassem a matar os manifestantes”. Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio voltou a apoiar os manifestantes, escrevendo, nas redes sociais: “os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irão”. Numa outra mensagem, o Departamento de Estado norte-americano sublinhou que as afirmações de Trump devem ser levadas a sério. “Não brinquem com o Presidente Trump. Quando ele diz que vai fazer alguma coisa, cumpre”, referiu.
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Dinheiro

Os testamentos de Francisco Pinto Balsemão

TextoAna Taborda
FotosAna Taborda
JUSTIÇA. O QUE ESTÁ NO PROCESSO INFLUENCER

Escutas da Operação Influencer. Sei o que disseste ao telefone durante três anos

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima