Nível de água do Danúbio obriga hidroelétricas da Sérvia a reduzirem produção
Aproximadamente 70% da eletricidade na Sérvia é fornecida por centrais termoelétricas e 30% por hidroelétricas.
O nível de água historicamente baixo do rio Danúbio obrigou as centrais hidroelétricas da Sérvia a reduzirem a sua produção, comunicou este domingo o Governo local, apelando à população para um consumo de eletricidade racional.
"A central hidroelétrica de Djerdap 1 está a funcionar com 20% da sua capacidade de produção e a Djerdap 2 com 30%", indicou a ministra da Economia sérvia, Dubravka Djedovic Handanovic, à televisão nacional RTS.
"Ao longo dos meses de maio, junho e julho, tivemos a menor produção nas centrais de Djerdap desde que entraram em funcionamento", na década de 1970, realçou, precisando que o caudal atual ronda os 1.500 m³/s, equivalente a níveis mínimos registados em 1985 e 2003.
Estas duas centrais elétricas, localizadas a aproximadamente 240 quilómetros a sudeste de Belgrado, na fronteira com a Roménia, fornecem cerca de 18% da produção anual de eletricidade da Sérvia. Aproximadamente 70% da eletricidade na Sérvia é fornecida por centrais termoelétricas e 30% por hidroelétricas.
De acordo com a ministra sérvia, a produção de eletricidade também está a ser afetada pelo mesmo motivo na Roménia e na Bulgária, enquanto o consumo está a aumentar devido ao recurso ao ar condicionado, em resposta a uma nova onda de calor extremo.
A Hungria anunciou este domingo o encerramento da sua única central nuclear, em Paks, pela primeira vez em 44 anos.
"Todos esses fatores exercem pressão sobre a quantidade de eletricidade disponível e sobre os preços", constatou a ministra sérvia, apelando aos cidadãos para que consumam eletricidade "de forma racional".
A situação no rio Danúbio é mais crítica no norte da Sérvia, perto da fronteira com a Hungria e a Croácia, onde o caudal era de 750 m³/s na manhã deste domingo, segundo o Instituto Meteorológico Sérvio.
Nessa região, o nível do rio está em mínimos históricos há vários dias e continua a baixar, situação que obrigou as autoridades a desligarem uma bomba que desvia água do Danúbio para um sistema de canais, de 960 quilómetros de extensão, que irriga mais de um milhão de hectares de terras aráveis.
Devido à falta prolongada de chuva e ao calor extremo que afeta a Europa desde a primavera, as águas do Danúbio atingiram níveis historicamente baixos em alguns locais. Os meteorologistas sérvios estimam que não haverá chuvas significativas durante mais cinco ou seis semanas.