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Mulher viaja para a Índia e anos mais tarde descobre que tem 38 parasitas no cérebro

Isabel Dantas 01 de julho de 2026 às 13:47

Caso foi discutido por especialistas em Inglaterra e nos Estados Unidos.

Uma mulher britânica contou à BBC que descobriu que tinha 38 parasitas no cérebro uns anos depois de uma viagem de três meses pela Índia. Lowri Denman contraiu neurocisticercose, uma infeção parasitária do sistema nervoso central causada pela larva taenia solium, que pode ser adquirida pela ingestão de água ou alimentos (muitas vezes carne crua) contaminados com ovos do parasita. Agora, quer alertar as pessoas para a doença.

Lowri Denman esteve três meses na Índia AP

O primeiro sintoma foi a descoberta, três anos depois da viagem, em 2010, de uma ténia numa ida à casa de banho de um restaurante. "Absolutamente repugnante, parecia uma fita adesiva com pequenas ranhuras", contou a mulher, de 42 anos. Assustada, consultou um médico, fez exames às fezes e como tudo estava normal, não voltou a pensar no assunto.

 Só que um ano mais mais tarde começou a sentir fortes dores de cabeça e teve a primeira convulsão. "Estava realmente a começar a ter dificuldades para encontrar as palavras. De repente, vi-me dentro de uma ambulância e pensei 'como isso aconteceu? Porquê?'"

O médico acredita que, embora Lowri Denman tenha decidido não comer carne durante a viagem à Índia, ela acabou de qualquer forma por ingerir inadvertidamente carne de porco que continha ovos microscópicos da ténia. Uma TAC e uma ressonância magnética ao cérebro revelaram um diagnóstico assustador. "O médico pediu-me para me sentar e disse 'analisámos os seus exames e encontrámos 38 parasitas no seu cérebro.' Eu e a minha mãe ficámos boquiabertas..."

Depois de ter sido descartada a hipótese de toxoplasmose - infeção transmitida pelo contacto com fezes de gatos infetados - Lowri Denman foi diagnosticada com neurocisticercose. "Nesse momento surgem muitas dúvidas porque simplesmente não sabes o que o futuro reserva para a tua saúde. O pânico do que vem a seguir gera questões sobre o que terei de lidar, que medicação terei que tomar, se poderei voltar ao trabalho..."

Foi medicada com antiparasitários e esteroides, o que parece ter resultado... até ao dia em que desmaiou no trabalho. Começou a sentir confusão, formigueiro em várias parte do corpo e teve de deixar de trabalhar. Foi sujeita a novos tratamentos com esteroides que a mudaram fisicamente e começou a sentir-se muito deprimida. "A paranoia e a psicose começaram a manifestar-se... houve ansiedade severa e ataques de pânico", contou Lowri, que teve de ser internada durante seis semanas num hospital neuropsiquiátrico. "Foi uma espiral descendente. A minha família estava a ficar desesperada com a forma como as coisas estavam a agravar-se, os meus amigos viam-me num estado terrível."

Lowri tem vindo a recuperar e o seu caso tem sido estudado pelos médicos na Grã Bretanha. "Foi o único caso que vi com esta apresentação ao longo de muitos e muitos anos", disse à BBC o médico Brendan Healy, acrescentando que foi muito discutido por especialistas dos Estados Unidos e Inglaterra. "Não espero ver outro caso como este durante minha carreira - e haverá muitos consultores de doenças infecciosas em todo o país que nunca verão, de tão raro que é."

E que aconteceu aos parasitas? "Não fiz nenhuma cirurgia para os remover do meu cérebro. Aparentemente, simplesmente decompõem-se e calcificam. Neste momento já estão calcificados", explicou Lowri, que não tem convulsões desde 2017 mas que terá de tomar medicação para epilepsia para o resto da sua vida.


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