Ministro espanhol questiona imparcialidade da juíza que investiga caso Ceuta
Óscar Puente considerou "bastante estranho" que a juíza tenha pedido aos investigadores da Polícia Nacional para não transmitirem aos dirigentes policiais as conclusões do relatório sobre a entrada massiva dos imigrantes.
O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, questionou a "imparcialidade" da juíza da Audiência Nacional Maria Tardón, a propósito do ocorrido em Ceuta.
Na raiz da sua opinião, o ter considerado "bastante estranho" que a juíza tenha pedido aos investigadores da Polícia Nacional para não transmitirem aos dirigentes policiais as conclusões do relatório sobre a entrada massiva de imigrantes em Ceuta, uma vez que são "questões relativas à segurança nacional".
Em entrevista a um programa da Cadena Ser, recolhida pela Europa Press, o ministro disse: "Logo de principio, denota alguma desconfiança que esteja a falar mal da imparcialidade de um juiz, porque não entendo porque é que a juíza tem de desconfiar".
Puente, que garantiu que "o desejo do governo" é o de "proteger o território espanhol", também contestou que o relatório policial tenha sido divulgado "através de um meio de comunicação muito conhecido pelo seu enviesamento de direita".
E prosseguiu "que a opinião pública aceda ao relatório por essa via, quando o Executivo não o conhecia, é muito estranho".
Acentuou ainda que a juíza Tardón "vem do mundo político", uma vez que foi integrou a listas do Partido Popular para a autarquia madrilena. "Deu provas de que se pode duvidar da sua imparcialidade", reiterou.
As declarações de Puente foram feitas depois de María Tardón ter decidido ficar com a investigação sobre a entrada massiva de imigrantes em Ceuta, no final de julho, apontando a "permissividade" e "a gestão favorecedora" desde o território de Marrocos.
Mas o ministro contrapôs que não tem as provas da magistrada. "Se tudo o que tem é o famoso relatório policial, que contém fotos que não têm nada a ver com Ceuta nem com as suas proximidades, pois, não sei se se é uma decisão acertada, mas a juíza saberá com que provas conta".
Pela sua parte, contrapôs, "até agora não temos provas que nos levem à conclusão de que esta é uma operação organizada pelo governo marroquino".