Pedro Sánchez tem defendido que Marrocos não teve envolvimento.
Um relatório policial a que a imprensa espanhola teve acesso aponta para o envolvimento de agentes marroquinos na travessia dos 72 mil migrantes em Ceuta. A conclusão vai em sentido contrário do que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem vindo a defender, já que o governo tem reiterado não haver provas que sustentem a alegação. Atribui antes a culpa a um envolvimento russo.
Milhares de migrantes continuam a pernoitar em Ceuta AP Photo/Francis González
O documento afirma que a "invasão foi conduzida por polícias marroquinos sob ordens de agentes à paisana". Também o apelo a uma segunda invasão a 15 de agosto difundido nas redes sociais "foi totalmente controlado" por Marrocos. A autoria do relatório é de uma unidade de informação da polícia espanhola e foi enviado na segunda-feira à juíza encarregue pelo caso.
O governo só terá conhecido o relatório depois de ser noticiado pela comunicação social. Isso motivou a que o ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, enviasse uma carta ao diretor-geral da Polícia Nacional a solicitar que revelasse quando teve conhecimento da informação e por que razão não foi transmitida diretamente ao executivo.
Marlaska quer a resposta da Polícia Nacional para que o executivo possa adotar as "decisões adequadas, no exercício das suas funções constitucionais de condução da política interna e externa e de defesa do Estado". O ministro da Justiça, Presidência e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, rejeita que o executivo tenha mentido: "O governo de Espanha está a agir e a informar os cidadãos com a informação que tem à sua disposição."
A crise migratória está a causar caos e instabilidade não apenas em Ceuta, mas também na política nacional. O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, acusou Sánchez de já saber que chegariam milhares de migrantes a Ceuta e ter "encoberto". O partido da oposição considera que o governo não tem condições para proteger o país e exige a demissão do primeiro-ministro.
A 30 e 31 de julho entraram cerca de 72 mil migrantes marroquinos em Ceuta, território espanhol no continente africano. A maioria já regressou a Marrocos, mas milhares ainda pernoitam nas ruas e na praia. Os habitantes queixam-se da insegurança e instabilidade, e protestam pelo regresso à normalidade e a expulsão dos migrantes.
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