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Milei terá aceitado 4,7 milhões de euros para promover cripto moeda que faliu em poucas horas

Gabriela Ângelo 13 de abril de 2026 às 20:00

A promoção da criptomoeda por parte do presidente argentino e o suborno de vários milhões de dólares acontece numa altura em que a realidade económica dos argentinos não é positiva. Ele introduziu medidas de austeridade rigorosas para conter a inflação que desencadeou uma recessão, deixando muitos argentinos na pobreza.

O presidente argentino, Javier Milei, terá aceitado cinco milhões de dólares, cerca de 4,7 milhões de euros, para promover nas redes sociais a criptomoeda $Libra que desvalorizou poucas horas depois de ter sido lançada. 

Javier Milei cria órgão para combater notícias falsas na Argentina Luis Gandarillas/Pool Photo via AP, File

A 14 de fevereiro de 2025 Milei publicou um tweet, agora apagado, a publicitar a criptomoeda $Libra que alegadamente iria “impulsionar o crescimento da economia argentina”. Após a publicação, a $Libra rapidamente atingiu o preço máximo de 5 dólares por moeda, mas desceu para menos de um dólar poucas horas depois, desvalorizando os investimentos de 13 mil detentores de tokens no valor de 250 milhões de dólares. 

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Publicação, agora apagada, de Javier Milei
Foto: X/ Javier Milei
Publicação, agora apagada, de Javier Milei
Foto: X/ Javier Milei

As revelações sobre um acordo financeiro entre os criadores da criptomoeda, o empresário Mauricio Novelli e o norte-americano Hayden Mark Davis, e o presidente argentino, inicialmente publicadas no mês passado pelo meio de comunicação de investigação argentino , contradizem as declarações de Milei. Num tweet, agora apagado, o presidente afirma que “obviamente” não tinha qualquer ligação aos organizadores da $Libra e que simplesmente se tinha deparado com ela na internet e decidiu, por livre vontade, promovê-la. 

O acordo financeiro recuperado por investigadores do telemóvel do empresário Mauricio Novelli descreve pagamentos de 1.5 milhões de dólares, 1.5 milhões e 2 milhões efetuados em três fases a entidades ligadas a Milei. 

O primeiro milhão e meio seria como uma espécie de pagamento adiantado e o segundo seria pago depois de Milei ter anunciado no Twitter a moeda e Hayden David como seu conselheiro. Por fim, os dois milhões seriam pagos depois de “um contrato assinado pessoalmente por Milei para consultoria em Blockchain/IA para o governo argentino e/ou Javier Milei e uma revisão com Javier e Karina [a irmã do presidente] ao longo dos dois trimestres”, segundo o acordo.

Segundo o jornal argentino , registos de chamadas de Novelli revelam ainda que o presidente contactou o empresário pelo menos cinco vezes nos minutos que antecederam a sua promoção do $Libra. Na altura das chamadas, o empresário estava no Texas com outros criadores da criptomoeda, nomeadamente Hayden Mark Davis que Milei tinha concordado em nomear como conselheiro.

Dias depois da moeda ter ido à falência, numa entrevista ao canal televisivo argentino TN, Milei afirmou que tem o hábito de promover projetos empresariais que considera vantajosos para a Argentina. “Compartilhei como centenas de outras coisas que, assim que vejo, publico”, disse. 

De facto esta não é a primeira vez que o presidente argentino publicita algo semelhante. Em dezembro de 2018, depois de ter assumido o cargo como deputado federal, promoveu uma empresa de finanças digitais, CoinX, no Instagram. Também foi à falência e resultou em milhares de pessoas lesadas e o seu fundador preso. 

A promoção da criptomoeda por parte de Milei e o suborno de vários milhões de dólares acontece numa altura em que a realidade económica dos argentinos não é positiva. Segundo o jornal britânico , o presidente introduziu medidas de austeridade rigorosas para conter a inflação que desencadeou uma recessão, deixando muitos argentinos na pobreza. 

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