Secções
Entrar

Médio Oriente: ONU pede retirada de seis mil marinheiros retidos em navios no Golfo Pérsico

Lusa 24 de julho de 2026 às 14:51

Prossegue a ofensiva norte-americana contra o Irão e várias embarcações estão bloqueadas na zona.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos apelou esta sexta-feira à retirada de cerca de seis mil marinheiros retidos no estreito de Ormuz, enquanto prossegue a ofensiva norte-americana contra o Irão e várias embarcações estão bloqueadas na zona.

Estreito de Ormuz tem sido palco de uma guerra marítima AP

"Apelo a todos os Estados e às partes envolvidas para que garantam urgentemente a proteção dos marinheiros retidos, o que inclui assegurar o acesso efetivo à assistência consular, aos abastecimentos e serviços essenciais, bem como facilitar os processos de retirada e de repatriamento", afirmou a porta-voz de Volker Turk, Shabia Mantoo, numa conferência de imprensa em Genebra, Suíça.

A porta-voz sublinhou que o número de marinheiros retidos na zona do golfo Pérsico pode ser superior a seis mil, dado que o paradeiro de muitos outros trabalhadores continua desconhecido.

"Acredita-se que estejam presos no Golfo Pérsico em várias embarcações mais pequenas ou que ainda não tenham sido localizados", referiu.

Na mesma conferência de imprensa, Shabia Mantoo alertou que muitos marinheiros foram "abandonados" em alto mar, sem apoio, sem possibilidade de repatriamento e sem o pagamento de salários.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, os marinheiros foram "abandonados" a bordo das embarcações para sobreviverem por conta própria, sem comida, água, combustível, assistência médica, eletricidade ou meios de comunicar com as famílias.

Nesse sentido, o organismo da ONU sublinhou que milhares de tripulantes enfrentam um isolamento e confinamento prolongados numa zona de conflito, com incertezas quanto à segurança e ao desembarque, com riscos físicos e psicológicos.

"Estes trabalhadores continuam expostos a hostilidades, uma vez que continuam a ocorrer ataques letais no estreito, colocando-os em risco iminente de morte ou ferimentos", afirmou a porta-voz, mencionando que 17 tripulantes já perderam a vida desde o início do conflito.

Shabia Manoo salientou que os ataques a embarcações civis são inaceitáveis e que as tripulações estão protegidas pelo direito internacional

"Os marinheiros têm o direito de escolher ou aceitar livremente um emprego, o que inclui a decisão de navegar - ou continuar a navegar - em zonas de alto risco", apontou ainda a porta-voz.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que os mais recentes bombardeamentos sobre várias regiões iranianas foram concebidos para "degradar ainda mais a capacidade do Irão de ameaçar os marinheiros civis e os navios comerciais que transitam pelas águas regionais".

As autoridades norte-americanas querem pressionar o regime de Teerão de forma a retomar a livre navegação no estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava um quinto do petróleo e gás mundial em tempo de paz.

Em retaliação aos mais recentes ataques norte-americanos, Teerão tem atacado países aliados dos Estados Unidos na região, como é o caso do Kuwait, Bahrein e Jordânia.

O recrudescimento dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão nas últimas semanas ditou o fracasso do memorando de entendimento que tinham negociado em junho, sob mediação do Paquistão.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com o lançamento de uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a que Teerão respondeu com ataques na região e o bloqueio do estreito de Ormuz.

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas