Irão: Portugal e mais 8 países do sul da UE pedem trégua efetiva no Líbano e toda a região
Em Beirute e no sul e leste do Líbano, dezenas de bombardeamentos israelitas provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês.
Os Estados-Membros do sul da União Europeia (MED9), entre os quais Portugal, congratularam-se hoje com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão e apelaram ao cumprimento do mesmo em todo o Médio Oriente, incluindo no Líbano.
Num comunicado conjunto, os países MED9 apelam a "uma desescalada sustentada" e ao cumprimento da trégua em toda a região, incluindo no Líbano, para se poder "avançar nas negociações rumo a uma paz duradoura e sustentável". "Preocupa-nos profundamente que, infelizmente, a violência continue em grande escala", acrescentaram os 9 países (Chipre, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta e Portugal).
Os ministros dos Negócios Estrangeiros ou seus representantes dos MED9 reuniram-se durante o dia em Split, na Croácia, na presença da comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, para abordar a situação de instabilidade na região mediterrânica e debater questões de segurança marítima, económica e energética. O conflito, refere o comunicado final, é "inaceitável" e "pode deteriorar-se ainda mais, com repercussões importantes para a paz e a segurança regionais e mundiais”.
As partes envolvida devem respeitar o Direito Internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas ou o Direito Internacional do Mar, “especialmente no que diz respeito à segurança marítima e ao respeito pela liberdade de navegação, incluindo a passagem em trânsito pelo Estreito de Ormuz”, adianta.
Numa altura em que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão entra no seu segundo dia, o exército do Kuwait indicou esta sexta-feira estar a ser alvo de um ataque de 'drones'. "As defesas aéreas das forças armadas estão atualmente a enfrentar ataques hostis de drones que estão a violar o espaço aéreo do país, visando várias instalações vitais", indicou o exército daquele país do Golfo Pérsico na rede social X.
Em Beirute e no sul e leste do Líbano, dezenas de bombardeamentos israelitas provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a deslocação dos seus negociadores a Islamabad.
Após ameaças de aniquilação feitas pelo Presidente Donald Trump, o Irão concordou esta semana com um frágil acordo de cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos e as duas partes têm negociações agendadas no Paquistão. A Casa Branca anunciou que a delegação dos Estados Unidos será liderada pelo vice-Presidente norte-americano, JD Vance, acompanhado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump Jared Kushner, e indicou que as conversações devem ter início na manhã de sábado. A parte iraniana deverá ser representada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
A agenda negocial deverá ser dominada pelo programa nuclear iraniano e de produção de mísseis de longo alcance, bem como o futuro do Estreito de Ormuz, onde passavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural do mundo, o apoio de Teerão a milícias na região, bem como mecanismos para evitar um novo conflito e as sanções internacionais contra a República Islâmica.
Os ataques israelitas e norte-americanos ao Irão, a partir de 28 de fevereiro, mataram Ali Khamenei e dezenas de altos oficiais e dirigentes do regime. Os bombardeamentos marcaram o início de um conflito que depois incendiou todo o Médio Oriente, com o Irão a ripostar com ataques sobre Israel e o golfo Pérsico.
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