Governo dos EUA lança campanha para recrutar veteranos como camionistas
O anúncio surge depois de o Departamento dos Transportes reforçar a fiscalização das cartas de condução comerciais atribuídas a imigrantes e de aplicar de forma mais rigorosa os requisitos de proficiência em inglês.
O Governo dos Estados Unidos (EUA) lançou esta sexta-feira uma campanha para incentivar militares e antigos militares a seguirem uma carreira como camionistas, para reforçar o transporte rodoviário após o endurecimento das regras aplicadas aos condutores imigrantes.
A campanha, denominada "Freedom Haulers", prevê facilitar o acesso dos veteranos à carta de condução comercial, permitindo que militares com experiência recente na condução de veículos pesados das Forças Armadas fiquem dispensados do exame prático exigido para obter a licença civil.
Além disso, militares em fim de carreira poderão frequentar cursos de condução comercial durante os últimos seis meses de serviço ativo, enquanto o programa federal "GI Bill" suportará integralmente os custos da formação e, em alguns casos, atribuirá um subsídio de alojamento.
A iniciativa integra um plano mais vasto da Casa Branca para facilitar a integração profissional dos veteranos, que deverá ser formalmente apresentado na segunda-feira.
O anúncio surge depois de o Departamento dos Transportes reforçar a fiscalização das cartas de condução comerciais atribuídas a imigrantes e de aplicar de forma mais rigorosa os requisitos de proficiência em inglês.
Segundo as autoridades, cerca de 26 mil condutores foram impedidos de continuar a conduzir por não demonstrarem conhecimentos suficientes da língua inglesa, enquanto aproximadamente 30 mil cartas de condução comerciais foram canceladas por alegadas irregularidades na sua emissão.
O secretário dos Transportes norte-americano, Sean Duffy, afirmou que as medidas visam aumentar a segurança rodoviária.
"Estamos a retirar cada vez mais condutores estrangeiros perigosos das nossas estradas e a restaurar a integridade do setor de transporte rodoviário americano", explicou Duffy, acrescentando que a campanha "Freedom Haulers" pretende mostrar que "nunca houve melhor altura para os ex-militares norte-americanos assumirem o volante de um camião".
As autoridades federais informaram ainda que vários estados foram avisados para o risco de perder verbas destinadas às infraestruturas rodoviárias caso não cumpram as novas normas relativas às cartas de condução comerciais.
O setor dos transportes já saudou a iniciativa, com o presidente da Werner Enterprises, Derek Leathers, a dizer que os veteranos representam já cerca de 15% da força de trabalho da empresa e destacam-se pela liderança, disciplina e competências técnicas.
Também Cole Stevens, diretor de estratégia da transportadora Stevens Transport, considerou que a experiência militar faz dos veteranos "alguns dos melhores motoristas e líderes do setor".
Segundo dados governamentais, os imigrantes representam cerca de 20% dos camionistas nos EUA, embora as cartas de condução comerciais emitidas a condutores não residentes correspondam a aproximadamente 5% do total, o que totaliza cerca de 200 mil licenças.
Entretanto, organizações de defesa dos direitos dos imigrantes criticaram a campanha de fiscalização, alegando que alguns condutores têm sido alvo de discriminação, nomeadamente membros da comunidade sikh, na sequência de acidentes rodoviários com forte cobertura mediática envolvendo camionistas deste grupo étnico-religioso da região indiana de Punjab (norte da Índia).