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Duas pessoas baleadas por agentes federais dos Estados Unidos em Portland

Débora Calheiros Lourenço 09 de janeiro de 2026 às 12:49

Não existem informações sobre o estado de saúde das vítimas.

Agentes de patrulha de fronteira dos Estados Unidos atingiram duas pessoas em frente a um hospital em Portland, um dia depois de outro agente do ICE
Agentes do FBI investigam cena de crime com carro danificado AP Photo/Jenny Kane
A polícia de Portland informou, em comunicado, que duas pessoas foram hospitalizadas depois de um tiroteio que envolveu agentes federais. Refere ainda que o estado de saúde dos feridos não é conhecido.   A polícia começou por se dirigir à zona leste de Portland devido a um alerta de tiroteio perto do hospital adventista, poucos minutos depois “um homem baleado ligou a pedir ajuda”, a cerca de cinco quilómetros de distância. “Os polícias responderam à ocorrência e encontraram um homem e uma mulher com aparentes ferimentos de bala. Chamaram o serviço médico de emergência e os pacientes foram levados para o hospital”, refere o comunicado, antes de concluir: “Os agentes determinaram que as duas pessoas ficaram feridas no tiroteio envolvendo agentes federais”.   As autoridades norte-americanas ainda não avançaram mais detalhes sobre o estado de saúde dos feridos, mas o áudio da chamada para o 911 – equivalente ao 112 na União Europeia – revelado pela FOX 12 Oregon revela que o telefonema foi feito por um homem que disse ter sido baleado duas vezes no braço e que a sua esposa tinha sido baleada no peito.   A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou que os agentes da patrulha de fronteira dos Estados Unidos pararam um veículo para procurar um homem suspeito de ser um imigrante sem documentos e com ligações a um gangue venezuelano. O motorista terá tentando atropelar os agentes que, “temendo pela sua vida e segurança”, dispararam. 

Protestos

Ao início da noite de quinta-feira cerca de cem manifestantes reuniram-se em frente à Câmara de Portland para pedir a abolição do ICE. Um número menor de manifestantes também se dirigiu ao centro de detenções do ICE, no sul da cidade, para protestarem com disfarces de animais, de forma a protegerem as suas identidades.   O presidente da Câmara de Portland, Keith Wilson, afirmou numa conferência de imprensa: “Sabemos o que o governo federal diz que aconteceu. Houve um tempo em que podíamos acreditar na palavra deles, esse tempo já passou há muito”. Já o chefe de polícia da cidade avançou que já estava a ser conduzida uma investigação federal: “Está a ser conduzida pelo FBI”.   O democrata pediu que o ICE faça uma pausa na aplicação das leis de imigração na cidade: “Não podemos ficar de braços cruzados enquanto as proteções constitucionais se deterioram e o derramamento de sangue aumenta. Portland não é um ‘campo de treino’ para agentes militarizados, e o uso de ‘força total’ ameaçada pelo governo tem consequências mortais. Como presidente da câmara, peço ao ICE que encerre todas as suas operações em Portland até que uma investigação completa seja concluída”.   Zakir Khan, um defensor dos direitos civis de Portland, já pediu ao hospital, que faz parte da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, que divulgue quaisquer imagens de câmaras de segurança do incidente “o mais rápido possível”. Um homem que estava dentro do edifício disse ao jornal Oregonian que viu agentes federais a seguirem uma carrinha Toyota até ao estacionamento e a tentarem cercá-la. Um dos agentes terá batido no vidro e o motorista começou a andar em marcha atrás para fugir em alta velocidade, não sem antes bater noutro carro que se encontrava estacionado.   Devido às grandes manifestações do ano passado Trump chegou a tentar enviar membros da Guarda Nacional para a cidade, mas esse envio foi bloqueado por um juiz federal que afirmou que a alegação do presidente de que a cidade estava “devastada pela guerra” era "simplesmente desprovida de fundamento”. 
Este incidente ocorreu um dia depois de um agente federal de imigração ter matado a tiros , de 37 anos, de Minneapolis que provocou uma forte condenação e aumentou as tensões numa cidade que no final do ano passado mobilizou grandes protestos contra a aplicação das leis de imigração. Na quinta-feira o FBI assumiu o controlo da investigação enquanto o governo norte-americano continua a acusar a mulher de praticar um “ato de terrorismo doméstico” e a alegar que o ICE agiu em “legítima defesa”, o que contradiz o vídeo gravado por testemunhas oculares.  
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