Canadá quer ser mais independente apesar de conflito com EUA
O conflito comercial entre os dois países agravou-se desde que o Canadá rompeu, em 21 de agosto, as negociações com a Casa Branca.
O primeiro-ministro do Canadá garantiu esta terça-feira que o país continuará a ser um dos principais parceiros dos Estados Unidos, apesar da escalada do conflito comercial, defendendo uma economia mais independente.
"Permitam-me dizer isto aos nossos amigos americanos: seremos sempre vizinhos, e o Canadá continuará a ser o parceiro mais importante dos Estados Unidos em muitos setores-chave", afirmou Mark Carney perante empresários e investidores reunidos na Cimeira de Investimento do Canadá, em Toronto.
O chefe do Governo canadiano acrescentou que o país será "um parceiro ainda melhor", preparado para promover os interesses económicos e de segurança comuns, quando estiverem reunidas as condições para retomar negociações que respeitem "as tradições e a soberania de cada um".
O conflito comercial entre os dois países agravou-se desde que o Canadá rompeu, em 21 de agosto, as negociações com a Casa Branca, acusada por Carney de tentar impor a Otava um acordo injusto.
No dia seguinte, o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre produtos canadianos avaliados em 27,6 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 17 mil milhões de euros).
O Canadá respondeu em 08 de setembro com tarifas de 15%, 25% e 50% sobre importações norte-americanas de valor equivalente, abrangendo setores como aço, produtos lácteos, máquinas agrícolas, eletrodomésticos, papel e produtos eletrónicos.
Hoje entrou em vigor um alargamento das tarifas norte-americanas de 50% a outros produtos canadianos, incluindo alguns veículos ligeiros de passageiros, embarcações, mobiliário, colchões, peles e couros, tubos de alumínio, queijos e outros alimentos.
Perante a escalada, Carney apresentou o Canadá como um "porto seguro" para o capital internacional numa ordem económica mundial que considerou cada vez mais fragmentada.
O primeiro-ministro anunciou ainda que Otava pretende atrair capital privado através de concessões de longo prazo para a exploração dos quatro maiores aeroportos canadianos, mantendo o Estado a propriedade dos terrenos e dos ativos.
Segundo Carney, a operação poderá gerar "dezenas de milhares de milhões de dólares", destinados a investimentos em aeroportos regionais, ligações aéreas, transportes locais e novas infraestruturas, incluindo uma rede soberana de banda larga com ligações diretas e mais seguras à Europa e à Ásia.
O Governo pretende também reduzir os prazos regulamentares, seguindo o princípio "um projeto, uma avaliação, um ano", e equilibrar o orçamento operacional no próximo ano, um exercício antes do previsto.
Carney inicia hoje uma visita à Europa, que decorrerá até quinta-feira e inclui deslocações a Estrasburgo, em França, e a Liverpool, no Reino Unido.
Em Estrasburgo, vai discursar no Parlamento Europeu, a convite da presidente da instituição, Roberta Metsola, e, em Liverpool, deverá reunir-se com o homólogo britânico, Andy Burnham, para abordar temas como defesa e segurança, energia, inteligência artificial e minerais críticos.