Investigação

25 de abril: um apóstolo do socialismo

25 de abril: um apóstolo do socialismo
João Pedro George 13 de fevereiro

Agora sabemos que há, pelo menos, dois Megas: o propagandista do Estado Novo e o marxista-leninista do PREC; o negacionista de Wiriamu e o gestor cultural que navega nas turvadas águas do PS. A sua produção discursiva, antes e depois do 25 de Abril, demonstra de que lado sempre quis estar: do lado de quem tem o poder. No fim de contas, Mega limitou-se a mudar para que Mega pudesse ficar na mesma.


Em plena euforia revolucionária, Mega Ferreira recebeu como prémio pelo seu esforço na propaganda do fascismo um lugar no ministério socialista de Raul Rêgo, dando "apoio informal" (palavras de Mega em entrevista à SÁBADO, 17 de Maio de 2018) àquele ministro da Comunicação Social do I Governo Provisório. Em entrevista a Mário Matos e Lemos, foi-nos dito que o ministro Raul Rêgo, logo que ocupou a pasta da Comunicação Social, mandou destruir a lista de jornalistas avençados na SEIT e em muitos outros ministérios do anterior regime, documentação que foi alvo de limpeza por parte de alguém daquele ministério (que tinha como chefe de gabinete o famoso Manuel Serra, que mais tarde abandonaria o PS).

Mas sobre tais movimentações há ainda muito que contar. Por exemplo, tratando-se de um funcionário próximo dos Serviços de Censura, é no mínimo estranho que dos arquivos da PIDE, à guarda da Torre do Tombo, não conste nenhuma ficha com o nome de António Taurino Mega Ferreira (durante o PREC, alguns jornais deram conta de inúmeras irregularidades cometidas no período de vigência da Comissão de Extinção da PIDE/DGS, que incluíram a devassa dos arquivos por elementos estranhos àqueles serviços – muitos deles indivíduos implicados com o anterior regime –, o desaparecimento de documentos ou a sua manipulação e utilização indevida).


A reconversão pós-25 de Abril de Mega Ferreira, que lhe permitiu erguer-se sobre as ruínas e os detritos do regime deposto, para dar a ilusão de que tinha sido da oposição e era socialista, intensificou-se nos meses seguintes: entre Julho de 1974 e Março de 1975, tornou-se secretário dos ministros da Educação e Cultura, Vitorino Magalhães Godinho e Manuel Rodrigues de Carvalho, dos II e III Governos Provisórios, ambos liderados por Vasco Gonçalves.

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