Tavira, Santa Luzia e Cacela Velha não são novidades para ninguém - são portos seguros. E quando aperta a vontade de tirar uns dias e rumar a sul, são destinos que não enganam. Natureza, história, gastronomia e o sabor a férias que dura todo o ano.
Começamos a descoberta de Tavira na ponte que, erradamente, é considerada romana. Construída no século XVII, passou a ser apenas pedonal após as cheias em 1989. É aqui que o rio Séqua passa a Gilão, num ponto privilegiado para observar o movimento da cidade, mais de serviços na margem direita (onde ficam o castelo, a Câmara Municipal, o Mercado da Ribeira e o jardim do coreto), e mais boémia na margem esquerda, com restaurantes e lojas.
Da ponte ao Mercado Municipal são 10 minutos a pé. É um lugar essencial para se entender o ritmo da cidade e aquilo que se consome por aqui: polvo, corvina, sardinha, atum, conquilhas e amêijoas da Ria Formosa, legumes, fruta e produtos como os figos secos, os orégãos e, claro, sal e flor de sal. Não fosse esta uma terra de salinas, como as de Rui Simeão, a poucos metros do mercado, ou aquelas junto à ria e ao Forte do Rato (ou Forte de Santo António).
Para entender a herança histórica de Tavira recomendamos uma visita ao Núcleo Islâmico do Museu Municipal de Tavira, no centro da cidade. Da importância de Tavira como ponto comercial de entrada do Mediterrâneo à muralha, anterior à conquista cristã, passando pelo Vaso de Tavira, há muito para conhecer. À saída, se não quiser andar a pé, terá sempre a opção da Happy Tuk Tours, veículo elétrico com itinerários fixos e ajustáveis, que percorre as ruas estreitas, algumas íngremes. Ideal para descobrir as mais de 20 igrejas, algumas, como a de Santa Maria do Castelo, que terão sido construídas em cima de mesquitas.
Michelin, praia e polvo
Junto à igreja vai encontrar uma das melhores vistas da cidade. E uma das melhores mesas, a do restaurante A Ver Tavira (avertavira.com; menu de degustação a partir de 85 euros), distinguido com Estrela Michelin e embaixador dos produtos da região. Prepare-se para a experiência e reserve com antecedência.
Nas épocas mais concorridas, a cidade enche-se de visitantes e quase todos têm algo em comum: ao fim do dia e início da noite não resistem a um passeio pelo centro e a uma ida aos gelados da Muxagata, no jardim do Coreto, ou na Delizia, do outro lado da ponte. Depois, será tempo de descanso e há bastante por onde escolher quanto a alojamento. Desta vez, sugerimos o Vila Galé Albacora (vilagale.com; quarto duplo a partir de 80 euros), nos terrenos do antigo arraial Ferreira Neto, onde no fim do século XIX foram registados mais de 43 mil atuns capturados. Depois de várias valências e propósitos, o espaço foi transformado em hotel, com spa, piscina, horta biológica e várias áreas dedicadas à história do lugar e às pessoas que ali viveram e trabalharam. Do ancoradouro privado do hotel chega-se à praia da Terra Estreita que, com as praias de Barril e Tavira formam a ilha de Tavira, estendendo-se por 15 quilómetros.
Bem perto de Tavira, a menos de cinco quilómetros para oeste, fica Santa Luzia, a capital do polvo, porto de pesca e de saída de barcos para a praia da Terra Estreita e passeios na Ria Formosa. Vagueie pela marginal, entre nas ruas estreitas e fique a conhecer a Tasquinha do Bruno (R. Mal. Gomes da Costa, 5; preço médio: 20 euros), com petiscos a preços honestos e um atendimento descontraído e caloroso. Não muito longe dali, parte o pequeno comboio de Pedras del Rei até à praia do Barril.
Se optar por sair de Tavira em direção a Este, a Espanha, vai encontrar, 10 quilómetros depois, Cacela Velha, considerada uma das aldeias mais bonitas do Algarve. Sobre uma pequena elevação com vista para a Ria Formosa, esta aldeia histórica combina património e paisagem, com a herança árabe presente. Comece no centro histórico que, apesar de pequeno, oferece um belo conjunto arquitetónico. Um dos monumentos mais importantes é a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, construída no século XVI. No largo em frente, fica um dos melhores miradouros, com vista panorâmica sobre a ria e as ilhas-barreira.
Não terá como perder a antiga fortaleza, estrutura militar construída para defender a região de ataques de piratas e invasores vindos do mar, de todos os tipos, dos romanos aos muçulmanos, que deixaram marcas importantes no território.
A natureza é um dos maiores tesouros por estas bandas, por isso a aldeia faz parte da área protegida do Ria Formosa Natural Park, um dos ecossistemas mais importantes do sul do País, com sapais, bancos de areia e canais onde vivem espécies de aves e animais marinhos.
Para aproveitar as redondezas e mergulhar num espírito de tranquilidade que nem sempre se associa ao Algarve, fica uma última recomendação - Casas da Quinta de Cima (casasdaquintadecima.com; quarto duplo a partir de 210 euros), em Vila Nova de Cacela. Fica a menos de dois quilómetros de Cacela Velha, é uma quinta familiar com 50 hectares de área e oferece uma variedade de suítes onde o conforto e a cultura local estão sempre presentes.