Neil Druckmann ajudou a transformar uma história de infetados e cidades em ruínas numa reflexão sobre o amor, a perda e os limites morais da sobrevivência. Mas a terceira temporada de The Last of Us será feita sem a orientação criativa do autor dos jogos. Numa entrevista ao The Washington Post, Druckmann esclareceu que não participou na definição do novo capítulo e que a Naughty Dog - responsável pelos jogos que deram origem à série - também não teve qualquer papel na direção da temporada.
A declaração confirma que a saída, anunciada em julho de 2025, foi mais do que uma redução de funções. Depois de escrever e realizar episódios e de dividir a liderança da adaptação com Craig Mazin, o criador decidiu concentrar-se inteiramente na Naughty Dog, estúdio da PlayStation que dirige. Continua creditado como cocriador e produtor executivo, mas não acompanha a produção nem pode, reconhece, falar sobre o seu andamento. Mazin, autor de Chernobyl, assume sozinho a condução da série.
A terceira temporada encontra-se em produção e tem estreia prevista para 2027, embora a HBO ainda não tenha revelado uma data. A narrativa deverá regressar aos acontecimentos vistos no final da segunda temporada, agora através da perspetiva de Abby, a personagem interpretada por Kaitlyn Dever. A escolha reproduz a estrutura de The Last of Us Part II, que obrigava o jogador a abandonar temporariamente Ellie e a experimentar o mesmo conflito pelo olhar da pessoa que aprendera a odiar. Bella Ramsey continuará ligada à história, assim como Isabela Merced, Gabriel Luna e Jeffrey Wright.
Segundo o Washington Post, os novos episódios deverão completar o arco dos dois jogos. Druckmann admite que este “poderá ser o fim” da adaptação, mas a HBO ainda não apresentou oficialmente a terceira temporada como a última. A série foi renovada em abril de 2025, antes mesmo da estreia da segunda temporada, num sinal da confiança depositada num dos maiores sucessos recentes do canal.
Estreada em 2023 e disponível em Portugal na HBO Max, The Last of Us acompanha Joel, interpretado por Pedro Pascal, e Ellie, por Bella Ramsey, numa América devastada por uma infeção provocada pelo fungo Cordyceps. Ellie parece ser imune e poderá representar uma esperança para a humanidade; Joel recebe a missão de a transportar através do país, mas a relação entre ambos transforma uma tarefa de sobrevivência numa história sobre paternidade e afeto. A primeira temporada adaptou o jogo original, lançado em 2013, e conquistou oito Emmys, a partir de 24 nomeações.
O afastamento da televisão, contudo, não significa uma despedida da saga. Druckmann garantiu que a Naughty Dog continua a tutelar a propriedade e que “não acabámos The Last of Us”. Acrescentou que existem alguns projetos em curso, a revelar quando chegar o momento. A formulação despertou imediatamente a expectativa de um terceiro jogo, mas não foram identificados formatos, histórias, plataformas ou datas. Os projetos poderão ser jogos, experiências derivadas ou extensões da marca.