De Victoria Beckham a Kourtney Kardashian, as máscaras LED regressam ao radar da beleza: não são novidade, mas estão a viver um novo momento de popularidade.
Há uns anos, uma máscara LED parecia saída de um filme de ficção científica: rígida, luminosa, algo assustadora, mais próxima de um capacete intergalático do que de um tratamento de beleza. Hoje, aparece em vídeos de get ready with me – vídeos nos quais a pessoa escolhe roupa e acessórios –, stories de autocuidado e rotinas de noite de celebridades que a usam na cama, no sofá ou antes da passadeira vermelha. O que antes pertencia sobretudo à cabine da esteticista passou para a casa de banho, ou para o perfil de Instagram e TikTok de quem trata a pele como uma extensão do guarda-roupa.
A terapia LED, ou light-emitting diode, usa diferentes comprimentos de onda de luz para atuar sobre preocupações como acne, textura, vermelhidão, manchas, luminosidade e sinais de envelhecimento. Segundo a Vogue, a luz vermelha é associada ao estímulo do colagénio e à melhoria da circulação, enquanto a luz azul é frequentemente usada para atuar sobre bactérias ligadas à acne. A mesma publicação sublinha, no entanto, que embora exista investigação promissora, há ainda perguntas em aberto sobre o alcance real destes dispositivos caseiros.
O fenómeno cresceu também porque é visualmente irresistível. A Vogue Business escreveu recentemente que a terapia de luz vermelha se tornou uma solução cada vez mais popular e que ganhou, nos últimos anos, importante destaque financeiro para as marcas de beleza, graças a nomes como a empresária Bethenny Frankel.
Entre os exemplos mais diretos está também a influenciadora e empresária Kourtney Kardashian. Fundadora da Poosh, empresa de saúde e bem-estar, Kardashian usa frequentemente o Instagram como ferramenta para publicitar a sua máscara de terapia LED.
Victoria Beckham foi outro dos nomes frequentemente associados à tendência, apesar de serem cada vez menos frequentes as publicações sobre o assunto. Em 2024, a Vogue escrevia que a sua facialista, a australiana Melanie Grant, combinava tratamentos como limpeza profunda, microdermoabrasão e LED, e que Beckham usava regularmente uma máscara LED em casa. A própria rotina noturna de beleza de Beckham também foi divulgada em publicações no Instagram, onde é afirmado que usa uma máscara de luz vermelha Celluma PRO recomendada por uma amiga.
Em 2025 foi a vez de Kendall Jenner dar a conhecer, em entrevista à Harper’s Bazaar, as suas rotinas de beleza. A modelo norte-americana descreveu a TheraFace Mask Glo, da Therabody, como uma das suas novas apostas de beleza, dizendo que a consegue usar enquanto lê, responde a emails ou faz tarefas em casa – “como um tratamento profissional sem ter de sair [de casa]”. A publicação refere que a máscara usa luz vermelha, infravermelha e azul, com 504 luzes individuais, e que Jenner a integrou totalmente na sua rotina.
O interesse, no entanto, não se limita às celebridades. A revista Máxima publicou recentemente um testemunho sobre o uso de uma máscara LED, associando a experiência a "uma redução clara da irritação e menos crises de acne", bem como a uma melhoria no aspeto de marcas pós-acne e pigmentação. A autora ressalva, contudo, que se trata de um investimento que deve ser bem escolhido e pesquisado.
A dermatologista Kristina Collins, citada pela Vogue, afirma que ferramentas caseiras de luz vermelha podem ser benéficas para manutenção da saúde da pele, mas não são tão potentes nem tão eficazes quanto tratamentos em consultório. Segundo Collins, os dispositivos clínicos em dermatologia emitem luz vermelha ou infravermelha em intensidades e comprimentos de onda superiores, permitindo penetração mais profunda e estimulação de colagénio mais mensurável.
A Vogue ainda, no mesmo artigo, escreve que a terapia de luz vermelha é geralmente considerada segura e eficaz para todos os tipos de pele, mas cita a dermatologista Whitney Bowe com um aviso claro: "se os olhos estiverem abertos durante o uso, a luz pode causar danos". A mesma médica recomenda que o aparelho e a pele nunca aqueçam, porque calor pode estimular pigmentação, sobretudo em pessoas com tendência a hiperpigmentação.
Então a tendência é recente? Não, mas está novamente no centro da conversa de beleza. A própria Vogue incluiu a terapia de luz vermelha nas tendências de beleza de primavera de 2026, notando que a tecnologia “não é nova”, mas que o interesse por LED está em crescimento e que os tratamentos caseiros de luz vermelha estão a tornar-se mais sofisticados.
O fator redes sociais também ajuda a explicar o regresso. Num balanço sobre produtos de beleza virais no TikTok em 2025, a Vogue escreveu que, embora a tecnologia de luz vermelha não seja nova, o ano passado “toda a gente” parecia estar a experimentar novos dispositivos, com destaque para a Shark CryoGlow LED Face Mask.
O mercado corrobora também o interesse crescente. A consultora de marketing Grand View Research estimou que o mercado americano de máscaras faciais LED cresceria a uma taxa anual composta de 11,9% entre 2022 e 2030, podendo chegar a 655,6 milhões de dólares (aproximadamente 560 milhões de euros à taxa atual) em 2030. Já a consultora The Insight Partners projetou que o mercado global de objetos de beleza passaria de 120 mil milhões de dólares em 2024 para 369 mil milhões (102,4 mil milhões de euros para 315,1 mil milhões de euros) em 2031, destacando o segmento de máscaras LED como líder entre 2025 e 2031.
Tecnológica, doméstica, fotogénica e com promessa de eficiência sem drama, a máscara LED não substitui uma consulta dermatológica, nem deve ser vendida como milagre. Mas numa cultura que quer tratamentos visíveis, rotinas otimizadas e resultados que pareçam acontecer entre um email e um episódio de série, é fácil perceber porque é que o mercado mantém o interesse.