O rapper norte-americano Kanye West propôs “encontrar-se e ouvir” membros da comunidade judaica no Reino Unido depois de uma onda de reações negativas ao anúncio da sua atuação no festival Wireless, em Londres, entre 10 e 12 de julho.
West, cujo nome legal é Ye, está a ser criticado por comentários antissemitas que proferiu no passado. No início do ano transato anunciou a venda de uma t-shirt com uma suástica e meses depois lançou uma canção intitulada ‘Heil Hitler’, a saudação feita na Alemanha nazi ao ditador Adolf Hitler.
A principal patrocinadora do festival, a marca de refrigerantes Pepsi, já se retirou e outros patrocinadores como Budweiser e PayPal estão a ser pressionados para fazer o mesmo.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a participação do artista no festival foi condenada por deputados e organizações judaicas do país, que instaram o governo a bani-lo. Durante o fim de semana o primeiro-ministro Keir Starmer referiu ainda que a possibilidade de West ser o cabeça de cartaz do festival era “profundamente preocupante”.
Contudo, esta terça-feira, o rapper publicou um anúncio no jornal norte-americano Wall Street Journal a pedir desculpa pelo seu comportamento antissemita e a atribuir as polémicas à sua perturbação bipolar.
No anúncio, Ye tomou consciência das críticas que têm surgido em volta da sua atuação e afirmou que o objetivo é ir a Londres “apresentar um espetáculo de mudança” e trazer “união, paz e amor”. “Ficaria grato pela oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica no Reino Unido para os ouvir. Sei que as palavras não bastam, terei de demonstrar a mudança através das minhas ações”, pode ler-se.
Problemas com o visto
Segundo o canal televisivo britânico BBC, que cita Melvin Benn, diretor geral da organizadora do evento, Kanye West terá conseguido um visto “nos últimos dias” para a sua atuação. No entanto, o Ministério do Interior afirmou que “não tinha conhecimento de quaisquer planos imediatos” para a visita ao Reino Unido, mas que a sua autorização de entrada está a ser analisada.
O Partido Conservador britânico instou o governo a recusar o visto de West, argumentando que “permitir que alguém com o seu historial seja a atração principal de um grande evento público transmite uma mensagem totalmente errada”.
Recorde-se que anteriormente foi recusada a entrada do rapper na Austrália que cancelou o visto depois de West ter lançado a canção ‘Heil Hitler’.
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