O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, lamentou esta quinta-feira a morte do escritor António Lobo Antunes como a perda de "homem com uma humanidade comovente" e sublinhou a importância de olhar para o futuro do seu legado.
"É uma grande perda para Portugal, para a cultura, para a literatura em particular, porque o António Lobo Antunes foi uma das vozes das últimas décadas que mais se distinguiu no modo de contar histórias, no modo como olhou para nós próprios, para a nossa condição de portugueses e retratou momentos muito importantes do nosso passado e presente", afirmou Alberto Santos, que era presidente da Câmara Municipal de Penafiel quando Lobo Antunes foi o homenageado, em 2012, do festival literário Escritaria.
O secretário de Estado da Cultura salientou que "é um legado que se perde hoje com a sua partida, mas por outro lado também [há] que olhar para aquilo que ele deixou, nomeadamente para todo o seu edifício literário, para aquilo que Portugal e o mundo ganhou com a sua escrita".
"Eu espero, tenho a certeza, [que] será cada vez mais reconhecido por aqueles que haverão de estudar e de compreender melhor esse trabalho", acrescentou o governante.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu hoje aos 83 anos.
Alberto Santos lembrou que, em Penafiel, se depararam com "um homem com uma humanidade comovente, com uma capacidade de interagir com a população, com uma capacidade de ele próprio se interpretar na rua, lendo, não, declamando de memória muitos poemas, muitos escritos seus, mas poemas de outros poetas também".
"[Uma capacidade] de entrar uma espécie de desgarrada com alunos da escola secundária, com transeuntes, com atores, enfim, com um conjunto de pessoas com quem ficava até altas horas da noite a conviver e a declamar poemas nesse modo de desafio, como nós chamamos lá em Penafiel", acrescentou o secretário de Estado.
Alberto Santos disse que o que se encontrou foi "um homem com uma capacidade de se emocionar muito grande e que tocou muito as pessoas".
Em Penafiel, no âmbito do Escritaria, ficou gravada a frase de Lobo Antunes "escrever é um trabalho que se faz por paixão, com muito sacrifício e com muitas olheiras".
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
O seu primeiro livro, "Memória de Elefante", surgiu em 1979, logo seguido de "Os Cus de Judas", no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
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